sábado, fevereiro 27, 2010

Whatever Works

E eis o novo de Woody Allen. Parece que é baseado num argumento escrito por ele e esquecido numa gaveta há anos. Em boa hora foi recuperado, porque se trata de um filme realmente delicioso. Esqueçam-se os críticos de cinema que deitaram abaixo o filme (embora o Cine Cartaz do Público tenha sido unânime na apreciação positiva do filme, coisa rara), esqueçam-se os comentários do costume sobre o facto de de ser sempre a "mesma coisa", a mesma "fórmula", a mesma "receita". Mesmo que o seja, porquê reparar o que não está estragado? Eis um cliché, tão odiado por Boris Yellnikoff, a personagem de Larry David, mas que, como ele próprio chega a reconhecer, são, se calhar, a melhor forma que há para exprimir um dado sentimento ou determinada ideia.
Mesmo sendo baseado numa ideia "antiga", o filme é perfeitamente actual, nada datado. Neste cabe a Larry David fazer as vezes de Woody Allen. O que não deixa de ser cómico tendo em conta que ele viu Jason Alexander a fazer dele durante quase uma década no "Seinfeld", série co-escrita por ele. E depois de ter visto a prestação dele na sua própria série "Curb Your Enthusiasm" (só vi meia dúzia de episódios infelizmente), não pude deixar de esperar este filme com alguma antecipação. Boris Yellnikoff é "Woody Allen" levado ao extremo: ultra neurótico, hipocondríaco, suicida, amargo, inconveniente, misantropo e misógino.
E a premissa base do filme parte da ideia de como reagirá Boris -e se relacionará- com uma pessoa que cai de pára-quedas na sua vida e é o seu completo oposto.
O Larry David é perfeito para o papel (porra, começo a acreditar que ele tem muito desta personalidade e humor). As pessoas esquecem-se que ele não é actor, pelo que alguma rigidez aqui e ali, não deve ser levada a mal. Porém, se funcionou na perfeição desta vez, duvido que Allen o consiga "aproveitar" para outro papel principal.
Mas aqui serve que nem uma luva. E o mais interessante da sua personagem é que, ao contrário de N filmes cuja personagem principal é amarga e antipática, Boris mantém o mesmo registo do princípio até ao fim. Não há qualquer redenção iluminada trazida pela personagem feminina; aliás, é exactamente o contrário: esta é que é atraída pela "escuridão" de Boris. Em geral, quase todas as personagens sofrem alterações, especilalmente os alucinados pais da rapariga (brilhantes actuações), mas Boris não; esse mantém-se intocado, um génio espectador de todas estas vidas mirabolantes dos "vermes" que o rodeiam, partilhando connosco, "neandertais que respiram pela boca" alarvemente, a sua sabedoria sobre a vida, felicidade, amor e quejandos.
Quem não aprecia o Woody Allen, não deverá ficar fã com este filme certamente. Mas quem aprecia...ah, que bela pérola.



"I'm not a likeable guy!" You said it man!

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

The Men Who Stare At Goats

Eis um filme surpreendente a vários níveis. E o primeiro de todos é que, por mais difícil que seja, parece que se baseia em factos e pessoas reais. O que, convenhamos, é bastante surpreendente quando se trata dum filme que retrata uma unidade secreta do exército americano, formada no início dos anos 80 por pessoas com supostos poderes paranormais. Super soldados Jedi, como eram (auto) designados.
O outro aspecto surpreendente é o equilíbrio perfeito que foi eficazmente instilado no filme: é um filme com piada, mas não é propriamente uma comédia. Não deixa de ser dramático, mas não é trágico. De facto, o tema subjacente à história é daqueles que facilmente poderiam descambar numa comédia apalermada e desenfreada, cheia de gags exagerados e piadas de mau gosto. Mas não. As personagens (especialmente as de Clooney e Bridges) são terrivelmente mirabolantes, mas não chegam a cair na caricatura alarve. Realmente é um filme totalmente despretencioso, que não procura ser mais do que é. E é aí que reside boa parte da sua eficácia.
A história narrativa é simples. Apesar de se desenvolver a três tempos: a história do jornalista (MacGregor) e o que o levou a viajar para o Iraque; o "presente", narrado pelo próprio que relata o encontro com a personagem de Clooney, no Iraque para uma suposta missão secreta e, o mais divertido de tudo: os flashbacks, contados por Clooney que mostram a criação do chamado Exército da Nova Terra e o seu recrutamento.
E, por mais incrível que pareça, esta "salganhada" narrativa sobre um tema tão alucinado, resulta na perfeição. Um filme divertido e que é mais do que aparenta. Porque para além de serem personagens alucinadas e cómicas, tanto Bridges como Clooney representam homens que, acima de tudo acreditam num ideal e lutam para o manter vivo, por mais mirabolante que pareça.O jornalista de MacGregor é, precisamente, um homem que busca algo em que acreditar, depois do desaire que lhe retira a ilusão de uma vida perfeita, não se fazendo rogado em embarcar na aventura que o "supersoldado" Clooney lhe proporciona. Muito interessante. E ainda temos o momento brilhante de ver a cara incrédula de MacGregor quando Clooney lhe explica que é um guerreiro Jedi e que ele também tem potencialidade para o ser.




quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Vá lá...

...tende paciência e suportai. Já há alguns meses que não ocorria aqui um evento lamechas e xaroposo, pelo que já está em boa hora. Além do mais, apetece-me.

Herbert e Zelmyra Fisher, que casaram em 1924 e têm 104 e 102 anos respectivamente "convidaram" todos a colocar as suas questões sobre o segredo dum casamento de oitenta e cinco - 85! - anos. O site é http://twitter.com/longestmarried e, obviamente com a ajuda de alguém (provavelmente um dos seus 5 filhos, 10 netos, 9 bisnetos e 1 trineto), responderam às questões no passado dia 14. Algumas das respostas são duma simplicidade estonteante e deslumbrante.

Q: Is fighting important?
A:
NEVER physically! Agree that it’s okay to disagree, & fight for what really matters. Learn to bend - not break!

Q: At the end of bad relationship day, what is the most important thing to remind yourselves?
A:
Remember marriage is not a contest – never keep a score. God has put the two of you together on the same team to win.

Q: You got married very young – how did u both manage to grow as individuals yet not grow apart as a couple?
A:
Everyone who plants a seed & harvests the crop celebrates together” We are individuals, but accomplish more together.

Q: What was the best piece of marriage advice you ever received?
A:
Respect, support & communicate with each other. Be faithful, honest & true.Love each other with ALL of your heart.

Q: Is there anything you would do differently after more than 80 years of marriage?
A:
We wouldn't change a thing.There’s no secret to our marriage, we just did what was needed for each other & our family.



É bonito, chuiff. :P

terça-feira, fevereiro 23, 2010

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Avatar, pá!

Vamos lá a ver uma coisa. Há aqui duas experiências muito diferentes. Dois vectores separados, no que diz respeito a este filme. Em primeiro lugar temos a experiência visual, quase sensorial que nos é dada pelo uso eficaz da tecnologia 3D. E aí sim, compensa e muito ir ver este filme. As cores, a fotografia, a verdadeira experiência que é estar "quase" dentro da acção é realmente uma maravilha. Todas as imagens do filme ganham imenso com o 3D e os restantes efeitos especiais. Especialmente quando a maior parte do filme se passa numa luxuriante e ultra colorida floresta. Realmente uma maravilha para o olhar e para os sentidos que vale a pena experimentar. Mas, tomada a decisão de experimentar há que estar preparado para o outro vector, a outra experiência (um segundo enquanto vou buscar um bastão e afio o machado).
É que o filme, enquanto filme, não tem nada de interessante. É chato, aborrecido, demasiado longo, cheio de clichés vergonhosamente sacados a outros filmes (e, ao que consta, a jogos de computador, o que é, à sua maneira irónico) e sem qualquer argumento ou história inovadora.
Nos idos de 1991 lembro-me de ter ido às Amoreiras, com uma série de amigos da escola, ver o "Terminator 2", também de John Cameron. Quando saí do filme, sim senhor, gostei e via-se bem e os efeitos especiais (quem não fica impressionado com um actor feito de crómio líquido?) eram espantosos. Mas no fim de tudo...pouco mais havia que um puto e o tio Arnaldo a fugir de um robot ainda mais mauzão que o primeiro, numa acção desenfreada que se desenvolvia por vários níveis ou plataformas, qual jogo de computador. E tinha eu na altura 17 anos!
O James Cameron tem, efectivamente poucos filmes realizados (cada um que realiza é sempre uma mega filme há que reconhecer), mas na minha opinião tem apenas 4 filmes bons: o "Terminator" original de 84, o segundo "Aliens" de 86, "The Abyss" de 89 e o "True Lies" de 94 (um filme realmente engraçado e interessante).
Depois veio a catástrofe, e em mais do que um sentido! "Titanic" o verdadeiro filme catástrofe. Sim, a "melhor" parte desse filme era ver o barquito a naufragar. Mais uma vez: efeitos especiais. De resto aquela parte do Leo na proa a gritar "I'm the king of the world" ainda me provoca pesadelos (já para não falar da celinedionzada...).
O "Avatar" segue exactamente a mesma linha. Muitos e bons efeitos especiais, sem os quais o filme se tornaria uma experiência muito penosa. A parte de não ser uma história nova não é, aviso desde já, um defeito que seja sempre de apontar. Há N filmes que não inovam ou repetem ideias, mas que ainda assim trazem qualquer coisa. Ora, a única coisa que este traz é a experiência 3D. Que é muito gira sim senhor, mas e daqui a 10 anos? Quem, pergunto eu, ainda fica HOJE deslumbrado com o exterminador feito de crómio do "T2"? Poucos...porque hoje em dia aquilo já é por demais corriqueiro. Daqui a 10 anos, o "Avatar" terá apenas no seu CV o facto de ser pioneiro no 3D. Mesmo o facto de ser o filme mais caro e o que rendeu mais de sempre está condenado a ser ultrapassado. Portanto é pouco meus senhores. Muito pouco. E isto suscita-me esta verve toda só pelo facto de se ter criado a histeria colectiva em relação ao filme. Sim, vale a pena ver, sim é um colírio para os olhos, mas nada mais. É um doce de filme, e o povo gosta de doces. Mas não podemos comer só doces. É preciso alguma “sustança”, coisa que o filme, nitidamente não tem. E nem me vou referir à série de momentos e diálogos ou frases que, enfim, me deixaram constrangido. Momentos que só consigo afastar com uma sonora gargalhada.
Enfim, “The Last Samurai”, “Dances With Wolves”, “The New World” (ver figura abaixo), etc etc, tudo isto são filmes que já trouxeram o conceito “ocidental/humano mauzão infiltra-se em civilização indígena; acaba por apreciar e aprender os seus costumes; torna-se seu defensor e, pasme-se, o Escolhido”.
Aliás, a comparação com “The New World”(o Pocahontas) é por demais evidente a vários níveis: objectivamente porque é assustador a similitude de argumento entre um e outro. É só retirar os índios americanos e meter os estrumpfes alongados e voilá. E subjectivamente porque, e isto é apenas a minha opinião, tanto o “The New World” como o “Avatar” são aborrecidos de morte com tanto misticismo e conceitos etéreos e, perdoem o palavreado, tanta lamechice xaroposa pegada. A última vez em que me senti assim foi mesmo com o “The New World”. Não deixa de ser irónico que, no fundo sejam dois filmes iguais. Ambos têm pretensões místico-ecológicas e ambos foram alvo dos mais rasgados elogios pela sua poesia (visual ou não). Pois a mim não me convencem. É muito bonito de ver e tal, mas tanta coisa bonita para os olhos só serve para tapar o que vem a seguir. O melhor é ir ver este filme como quem vai ver um espectáculo visual state of the art, um documentário sobre um planeta, uma floresta distante e aproveitar ao máximo as visões realmente belas que surgem perante nós. É isso mesmo: é um espectáculo visual esmagador, não um filme.
A ver, portanto, pelo 3D definitivamente, mas preparem-se para soltar umas gargalhadas pelo meio, sob pena de enlouquecerem.


Pocahontas Vs. Avatar

PS: E não, não há qualquer hipótesem nem remota nem mínima, de comparar este filme à excelência suprema que é a trilogia "Lord of the Rings".

terça-feira, fevereiro 16, 2010

Sapari



"Sapari" official video.
ORPHANED LAND from Israel is probably the only band from this country ever able to build up a huge following among Muslims and Arabian people that communicate freely via the bands social networking pages. Where politicians have failed, a mere metal band daringly labeling its style Jewish Muslim Metal or Middle Eastern Progressive Metal has actually achieved the unthinkable and united Israeli and Arabian people despite any cultural, religious or political differences or conflicts! Commented ORPHANED LAND vocalist Kobi Farhi: "With the video clip, we are trying to reflect this inner search of a man and his spirit. The actor, Matti Atlas, was filmed in a room, sitting in a box, writing scared stuff. This is the exact way they used to sit and write in the old days in Yemen. He is writing… searching. At some point, he starts to freak out; to write on the walls, on his body, getting even possessed in a way. He is alone, confused, searching for answers and meaning, just as we all are.
"Sapari (means 'tell me' in Hebrew) is a 17th-century poem written by Sa'adia ben Amram, a jewish poet who lived in Yemen back then. The song is a duet between the poet and his soul. The poet seeks for his soul and asks her where is 'she.' The soul, described as a dove in the song, answers that she is at the high chamber, heavens, preparing herself to wear the shape of a human body.
"In a way, this song reflects the inner search that every human is going through. We are getting to know our self more and more each and every day, and our journey here is far from being easy."

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Foreigner

O Júlio Iglésias já a cantou (oh meu Deus...) e agora é a vez da Mariah Carey. Por mim tudo bem. Mas não posso deixar de fazer aqui um reparo, um parêntesis. Como é a Mariah Carey a cantá-la, já ouvi na rádio os adjectivos "excelente", "grandioso", etc (talvez tenham sido outras as palavras, mas a ideia foi essa, seja como for). Porém, duvido MUITO que essas rádios utilizassem os mesmos adjectivos relativamente à canção original, dos Foreigner, do álbum "Agent Provocateur" de 1984. Aliás, duvido sequer que a ponham no ar. E porquê? Porque é pirosa. É lamechas. É convencionadamente pirosa e lamechas. Nada adequada aos dias de hoje, blá, blá. Mas tem algum cabimento ver um tipo encaracolado a cantar isto? Tornou-se uma canção standard, uma canção facilmente incluída nos "guilty pleasures" de alguém. Diabo, se até com o nome do álbum já ouvi fazerem piadas. Não é cool, convenhamos. Os Foreigner não são cool. São uma banda dos nossos paizinhos. Dos avôzinhos mesmo.
Confesso que gosto do raio da canção. É lamechas 80's vintage sim, mas é uma grande canção. E durante muito tempo foi praticamente a única que conhecia dos Foreigner. Até um dia ver um documentário sobre a banda (VH1, provavelmente)e concluir que os tipos até tinham outras canções interessantes, senão mesmo melhores que esta. E não deixa de ser interessante saber que esta canção, se por um lado foi a que lhes deu o mega sucesso internacional, por outro foi a que acabou por desencadear o processo que desfez a banda. Mas pronto, não são cool, e são motivo de algum gozo certamente. Mas se é a Mariah Carey, já é estrondoso. Whatever. Um mero desabafo.


sábado, fevereiro 06, 2010

Bem...

Onde raio parará a parte que falta? A ver se encontro.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Amália


Interessante exposição que, como bom português, fui ver no fim, mesmo fim, da dita. Dividida entre o Museu da Electricidade e o estaminé do Berardo no CCB, a exposição até se deixou ver sem grande aborrecimento. Confesso que estava à espera de me interessar menos. Todavia, estão de parabéns os organizadores. A exposição é variada e compreensiva, muito dinâmica e visual. Também ajuda, claro, que o tema principal da dita seja uma pessoa com uma vida tão interessante e agitada.

Agora...o que realmente faltou perceber foi a razão da divisão da exposição. É que, em bom rigor, nem se trata tanto de divisão propriamente dita, uma vez que 99% da mesma está no CCB. Porquê aquele 1% no Museu da Electricidade? O que neste constava podia facilmente ser integrado nos restantes itens no CCB...enfim, dilemas que a minha privilegiada mente não alcança.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Orphaned Land

"It began with the fact that we really wanted to have a metal band. We were young metalheads. Today it's a completely different angle because today the band is all about uniting cultures and create friendships between enemies. Things have become really more deep in terms of concept and in what we want to achieve. Music is a great force of bringing hope and getting people closer.
Some people called our photo ridiculous. Fine. But to them i can ask this: these three religions are killing each other for decades and they do it, how surprisingly, in the name of God. Now if that is not ridiculous, what is ridiculous? Why don't you all get along? You believe in the same stuff. This is the same beliefs. It's the three abrahamic religions: same stories, same bible, same God. Why do you kill each other? This is ridiculous. Get along. In our music we are getting along, and if people will learn to live like that...it will be Heaven on Earth. Imagine how rich one could be..."



Go in peace, and find thy faith
Evolve thy self, and lose all hate
So a heaven you may create

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terça-feira, fevereiro 02, 2010