quarta-feira, setembro 30, 2009

cavacada

Uma pequena apropriação de imagem para ilustrar o óbvio. Parece que o enorme garfo que o Sr. Presidente tem enfiado já chegou finalmente ao cérebro. E sim, a ervilha parece ter sido trespassada. Chamem uma ambulância! Homem algo insuportável, até tinha vindo a fazer um trabalho sofrível na presidência. Não votei nele, mas vá lá, não tenho encontrado muitos motivos de queixa para além dos do costume. É um homem incapaz e algo inepto para aquelas funções, mas a verdade é que um misto de manter a boca fechada e uma opção (presumo eu) de se fazer rodear de gente entendedora, pareceram ter sido a receita milagrosa.
Mas eis senão quando o homem borra a pintura toda. E ainda não contente aproveita para vomitar em cima da pintura já borrada e pisoteá-la depois alarvemente. Coitada da pintura. Sim, uma alarvidade é a palavra chave. Ou talvez senilidade. Ou ambas. Que figura triste e infeliz a que o homem se prestou. Juro que a dada altura não estava a perceber nada do que ele dizia de tão perplexo estava. Há tempos o senhor tentou fazer stand up comedy num discurso qualquer perante jornalistas. Será que isto foi mais uma tentativa de fazer humor? Se o for é muito elaborado. Qual humor inglês qual quê. Isto deve ser humor esquimó. Como a querida S.A.R. I bem reparou, um homem que "raramente tinha dúvidas", apresentou-se ao país não só cheio de dúvidas, mas ainda criando mais e maiores.
Enfim...constrangedor. É isto um Presidente da República? Sob pretexto de não querer lançar confusão, faz ainda pior, utilizando linguagem pouco digna e nada institucional. Bela maneira de começar a nova legislatura.

terça-feira, setembro 29, 2009

A New Love In Town

Um dos melhores discos deste ano. Brilhante a todos os níveis. Sim, os Europe, os tais do Final Countdown e do cabelo carregado de laca. Já perdi a conta aos actos de contrição que já fiz por ter constantemente relegado esta banda para segundo plano antes de ouvir a sério. Os preconceitos são assim mesmo. E estou certo que este mesmo preconceito ainda vive em muita gente e mais certo ainda que em muitos nunca há-de desaparecer. É verdade. Problema deles. O que sei é que este novo disco é uma pérola. E esta canção, que se lixe se pareço lamechas ou piegas, é realmente romântica. Lamechas? Talvez. Chamem-me lamechas então. For someone out there...


Nothing looks quiet the same
I see people and places in a new light again
There’s a grace ascendent to a broken sky
Now I know, there’s a reason why
I feel so alive

Cause tonight,there’s a new love in town
Waking emotion, I thought I’d never find
Yes tonight how you turned it around
I wanna tell the whole world
There’s a new love in town

It's been a strange kind of low
Always held my head up high
Little did I know
That my rose-tinted reality
Would soon fall apart
Just by holding you gently
There’s a hope in my heart
I'm out of the dark

So tonight there’s a new love in town
Waking emotion, I thought I’d never find
Yes tonight, how you turn it around
I want to tell the whole world
There’s a new love in town

And everyone I met has made me what I am today
And every choice I made has led me here today
And every time I see your face
I find my way

Yes tonight there’s a new love in town
It's waking emotions thought lord I never thought I'd find
Yes tonight how you turned it around
I wanna tell the whole world
There’s a new love in town

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Bah

39,40% de abstenção.
Quase 40%.
Quase metade da população que não votou.
Depois queixem-se. É a total desresponsabilização. É como nas reuniões de comdomínios: são sempre os mesmos que aparecem. Não por especial prazer, que não há, mas por algum sentido de dever. Os que não estão sujeitam-se. Depois queixam-se. É caso para dizer: bardamerda!
Estava convicto que, tendo em conta o grau enorme de contestação ao Sr. Engenheiro, a grande divisão entre as pessoas, o algum interesse que aparentemente este assunto estava a despertar na opinião pública, houvesse mais votação. Na minha mesa, há hora a que votei, havia uma maior percentagem. Mais que o normal. Mas, pronto, fogo de vista aparentemente.
A democracia representativa está caduca e ultrapassada? Talvez. Mas o que criar em sua substituição. Acabar com ela? E usar o quê? Tanto se falou ultimamente nos horríveis atentados à democracia, em asfixia democrática, em défice democrático, etc e tal. E então, ninguém quer saber mesmo.
Enfim, business as usual.
Quanto à Dra. Manuela: "à mulher de César não basta sê-lo. Tem de parecer". Que ninguém diga que isto não é dos maiores fracassos do PSD que, face a uma contestação tão generalizada, não soube capitalizar esse descontentamento a seu favor. Culpas para a líder obviamente incapaz e inepta para desempenhar o cargo. Poderá ser muito competente e capaz, sei lá, mas ajudava que parecesse tal também. Maior confiança. Calculo que seja algo difícil de fazer quando se é uma múmia paralítica mal encarada. Enfim.

segunda-feira, setembro 28, 2009

Xutos e Pontapés @ Restelo XXX Anos

Concerto histórico, épico, monumental, brilhante. Grande GRANDE banda esta.










Xutos @ Restelo


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domingo, setembro 27, 2009

The Cult @Coliseu dos Recreios











X

À procura do amanhã
Andam homens inseguros
Erguem escadas
Partem muros

sábado, setembro 26, 2009

Desejo










Há 5 anos atrás. Tour dos 25 anos. Duas casas cheias no Pavilhão Atlântico com direito a gravação de DVD na primeira noite. A noite que eu fui. Já perdi a conta aos concertos que vi dos Xutos. Sem dúvida a banda que já vi mais vezes ao vivo. E sim, houve concertos memoráveis, fantásticos, bons, menos bons e aborrecidos. Tal como a carreira da banda também teve altos e baixos. 30 anos pesam, quer se queira quer não. No entanto nunca abandonei ou desprezei a banda por isso. Continuam a ser a melhor banda portuguesa de rock de sempre. Sem discussão. "Ah e tal é moda gostar dos Xutos nos dias de hoje", dizem uns. "Ah e tal os Xutos são comerciais já não têm interesse" dizem outros do lado oposto. Whatever dudes. Cada um é livre de pensar e sentir o que quiser. Quanto a mim continuo a sentir os Xutos e Pontapés como a Banda Portuguesa, aquela cujas canções podiam perfeitamente servir de banda sonora para o filme que é a minha/nossa vida. Só por isso merecem o esforço. Sim, estão (e são) diferentes do que eram há 30 ou 20 anos atrás. Mais velhos, mais gordos, mais assentes....é natural portanto que tenham mudado. Mas a chama ainda lá está. E por cada "cervejola para ver a bola" e "enquanto tiro fotocópias", há uma miríade de grandes e incontornáveis canções.
E por isso, hoje, no primeiro concerto de estádio, lá estaremos, mais uma vez, para desejar os parabéns aos Beijinhos e Parabéns!



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sexta-feira, setembro 25, 2009

Cult



"Revolution"

quinta-feira, setembro 24, 2009

quarta-feira, setembro 23, 2009

terça-feira, setembro 22, 2009

Thanks Staffan!

The Black Knight strikes again!
Spot on, as usual. Simple and effective. But quite truthful.
Thanks Staffan, my friend.

When noone loves you.
When you've given up hope.
When all seems futile.
And your life sux.

Then there's Metal, god damnit! \m/


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SuperFM

O que eu já aqui falei da SuperFM, a mítica rádio da Outra Margem, responsável pelo meu gigantesco vício na música que perdura viçosamente ainda hoje. Infelizmente acabou há 11 anos. Pois que então não é que os malucos que fizeram a rádio então, estão de volta? Trintões como a maior parte do seu público certamente. Em 1990 e 1991 era prática corrente ouvir a SuperFM o dia quase todo. As bandas e músicas que conheci nessa rádio são incontáveis. E na sua maioria são, ainda hoje, a espinha dorsal das minhas preferências musicais. Uma rádio preocupada em passar música, em dar a conhecer, só pelo prazer da música. Sem airplays, cedências ou compromissos com editoras. E heavy metal, bastante heavy metal, ouvido pela primeira vez com agrado nessa rádio. Nostalgia trip.

SuperFM volta a emitir passados 11 anos de ausência
21.09.2009

A geração que passou muitas tardes a ver o Verão Azul, que fez a Prova Geral de Acesso e que viveu estes fenómenos na região da Grande Lisboa, logo ao fim do dia pode revisitar mais um lugar comum da adolescência e voltar a ouvir uma rádio que marcou quem hoje está na casa dos 30 anos. Quando forem 21h09 a SuperFM, a rádio local da margem sul do Tejo que marcou um lugar importante entre os apreciadores de rock, volta a emitir passados 11 anos de ausência.
O projecto, que acabou em 1998, depois da frequência que ocupava ter sido comprada pelo produtor brasileiro Ediberto Lima não morreu, lembra Rui Santos, director deste novo projecto. O responsável frisa que esta será a recuperação de um nome que acompanhou o crescimento dos seus ouvintes, mas que continua animada e a apostar no rock e no apoio à música nacional. Está prevista a recuperação de antigos programas da antiga Super FM como o Força Total à Música Nacional.
Agora na frequência 104.8, ocupada antes pela Rádio Eco de Alcochete, Rui Santos lembra que esta é a recuperação de um projecto de rádio que liderava na região de Lisboa na faixa etária 18-25 – agora reformulado para servir os ouvintes na casa dos 30 anos, com poder de compra e espírito revivalista: “Os nossos ouvintes cresceram, aqueles que eram a geração rasca são o motor do país e não se revêem nas rádios que estão disponíveis”, afirma Rui Santos que acusa a rádio de hoje de não pensar nas pessoas e que frisa que não concorrem com ninguém.
“Podem desligar os ipods e os cd’s do carro. Para aqueles que nos ouviam em 1998 a rádio deles voltou. Para os que não nos conheciam, só posso prometer uma agradável surpresa”.
Num dos testemunhos deixados por artistas nacionais, como Zé Pedro, dos Xutos e Pontapés, para saudar o regresso da SuperFM, Fernando Ribeiro, dos Moonspell lembra: “Na altura era difícil colocar os Moonspell nas rádios. Os Moonspell cresceram com a Super. Era uma rádio onde era possível ouvir-se música pesada a qualquer hora do dia”. Rui Santos acrescenta. Se decidirmos passar ‘Pantera’ nenhum director nos vai chatear ao estúdio a dizer que se calhar é muito pesado.”

Público Última Hora







segunda-feira, setembro 21, 2009

Casa das Histórias





The Pillowman, tríptico, 2004

Não sou o maior fã das obras da Paula Rego. Tem coisas que gosto muito e outras que, enfim, sinceramente nem por isso (para ser simpático). Mas em geral é interessante. Mas é digno de nota que uma artista que basicamente se fez lá fora, ainda se considere suficientemente portuguesa para doar esta quantidade de obras a Portugal e apadrinhar um museu gratuito para o povinho. E vale a pena nem que seja pelo edifício do museu, do Souto de Moura.

domingo, setembro 20, 2009

Bom.

Quem o viu e quem o vê realmente. Há 15 ou mais anos atrás quando passava a pé sobre a ponte, nunca imaginei que chegaria a ver isto. Desportos náuticos, uma verdadeira regata de kayaks. Sim senhor. Qualquer dia até os golfinhos voltam. Gostei de ver e de ficar a ver passar os senhores remadores que, certamente, terão dado graças pelo facto de não terem de forçar os seus remos por matéria mais viscosa e não tão agradável.
No entanto o objectivo era mesmo ir ver a feira medieval de Sacavém, mesmo ali ao lado. É verdade. A Feira Medieval de Sacavém, já na sua terceira edição. Enfim. Começo realmente a pensar que se criou uma espécie de indústria dedicada às "feiras medievais" e, como tal, há que continuar a providenciar locais para se realizarem as ditas "feiras". Mesmo que sejam em sítios menos...enfim...menos ortodoxos. Estamos em tempo de crise, convém não lançar mais pessoas para o desemprego. A referência à "Feira Medieval de Sacavém" a amigos fez levantar alguns sobrolhos, proporcionou alguns sorrisos e puxou uma ou outra gargalhada. Está bem. Porque não hão-de os sacavenenses fazer uma feirazita também? É típico. Como aliás se pode ver por esta oferta alimentar tipimente medieval:

Não só era um "cachorrão" e "burguer", como ainda por cima era "super". Nada mau!! :D O raio do evento era, com o devido perdão dos sacavenenses, algo estranho. Com um espaço tão, mas tão grande à volta, resolveram concentrar tudo numa "rua" repleta de barracas e afins. Devia ser para dar o feeling medieval de pessoas a atropelarem-se cavalarmente umas às outras, enquanto comiam o seu "cachorrão medieval" (ok, havia outrs coisas para comer!).
Resolvi ignorar os dois "actores" vestidos de frades que guinchavam e berravam em cima dum palco (parecia ser uma espécie de peça pantomineira) e esperei pelo promissor "Treino de Armas". Eis que surgem mais uns quantos "actores" que se põe efectivamente a treinar golpes e contra golpes. Assaz aborrecido. Aliás, os próprios "actores" pareciam algo perdidos e parados a olharem uns para os outros, algo indolentemente.

David & Golias? Parece. E parecia também que iria sair daqui um massacre. Injusto! O gigantone não só é gigantone como tem uma armadura. O pequenitates ali (deve ser do Povo nojento!) estaria lixado. Todavia, lamento informar que os senhores andaram à porrada por uns minutos até se fartarem. Não houve vitorioso. Apertaram as mãos e acho que foram beber. Ya. Eu teria feito o mesmo. Os jovens que se seguiram já se esforçaram mais. Vá lá.



E, o que parece ter sido o main event da tarde: os capitalistas a baterem-se, ou por outras palavras, medievais palavras, se assim puder ser, os nobres empertigados à espadeirada!




Mas também foi animação de pouca dura. De seguida descobri a origem medieval dos Pauliteiros.

Enfim. Isto das feiras medievais é muito giro e interessante. Mas, e é apenas a minha singela opinião, se vão fazê-lo, façam-no a sério. Com empenho. Sei lá, para ser mais credível. Até o presidente da câmara de Óbidos, aqui há uns anos na respectiva feira medieval, a atender o telemóvel em plena encenação dum típico banquete medieval, parecia mais medieval. lol
Olhei nesta direcção

e pensei que era melhor ir mas é para casa!

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sábado, setembro 19, 2009

Ghostwriters

"The World Is Almost At Peace"

sexta-feira, setembro 18, 2009

Flashbacks


Não é que seja costume falar aqui de filmes vistos em DVD, como já o disse mais uma vez. Mas vi este filme há tempos em casa, emprestado pelo F (thanks bro!) e, em boa verdade, gostei imenso. Um filme que nem deve ter tido estreia comercial nas salas de cinema por cá. O que não deixa de ser estranho porque é um projecto do Daniel Craig, o actual 007, e protagonizado por ele mesmo. Um papel nada "bondiano", feito a seguir ao "Casino Royale" e à "Bússola Dourada" (yuck!) e antes do "Quantum Solace". É notório e de louvar o esforço de Craig em não ficar colado ao James Bond.
Mas adiante. "Flashbacks..." é um filme simples, que conta uma história também ela simples mas com a qual,acho eu pelo menos, qualquer um se pode relacionar.
No fundo é um história sobre as decisões na vida, as opções que se tomam à medida que se vai andando e o quão errados (ou certas) elas vêm a revelar-se ser.
O "fool" do título é Joe Scott um actor no declínio da carreira (e da vida) que a certa altura se vê forçado a refçlectir sobre o que correu mal na sua vida. Eis que entram os "flashbacks". Nesse grande flashback vemos a vida de um Scott adolescente e das opções que tomou e que o levaram ao caminho onde veio agora encontrar-se, desiludido e desconcertado. Convencido durante anos da certeza das suas escolhas e, iludido com o sucesso que acabou por ser finito, Scott toma consciência da realidade da sua vida após ser informado da morte de um amigo de infância.
Parece e é simples. Mas realmente vale a pena ver o filme. Certo, é algo lento por vezes, mas ganha na construção cuidada e sem pressa das várias personagens. E, de facto, fiquei preso ao filme.
Enfim...certos momentos falaram-me a mim directamente, portanto, esta opinião sobre o filme é ainda mais subjectiva que qualquer uma das outras.
Mas gostei. Gostei de ver que há filmes que retratam um determinado estado do Mundo actual, e da maioria das pessoas que nele vivem. E que depois se preocupam em mostrar o outro lado da moeda. E mostrá-lo como um lado que, se calhar, quem sabe, também é correcto. Há outros modos válidos de viver a vida. É bom ver que filmes como este e, mais recentemente, o "Up" da Pixar, começam a dar valor a outros princípios. A mostrarem outros tipos de aventuras que não aquelas que hoje são dadas como "a coisa certa para fazer", o constant moving around, a insaisfação com as coisas simples da vida. But i digress....

He had a rare gift Joe. He knew his place in the world. He found wonder in simple things. He lived in the moment like a child...That's a rare gift in a man.

When i was a child i used to think that being brave meant that you had to take action... that to have a dream or get forward in life you needed courage.
But the only thing you need courage for is for standing still.




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quinta-feira, setembro 17, 2009

yup

When you develop an infatuation for someone you always find a reason to believe that this is exactly the person for you. It doesn't need to be a good reason. Taking photographs of the night sky, for example. Now, in the long run, that's just the kind of dumb, irritating habit that would cause you to split up. But in the haze of infatuation, it's just what you've been searching for all these years.
The Beach

Braga



quarta-feira, setembro 16, 2009

neverending journey



From the red sky of the east. To the sunset in the west
We have cheated death and he has cheated us

But that was just a dream. And this is what it means
We are sleeping and we'll dream for evermore

And the fragment remains of our memories
And the shadows we made with our hands
Deeper grey, come to form all the colors of the dawn
Will this Journeyman’s day be his last?

I know what I want, I say what I want
And no one can take it away.
I know what I want, I say what I want
And no one can take it away.

But the memory still remains.
All those past years not so strange
Our winter times are like a silent shroud

And the heartbeat of the day
Drives the mist away
And winter's not the only dream around

In your life you may choose desolation
And the shadows you build with your hands
If you turn to the light, that is burning in the night
Then this Journeyman's day has begun


(Smith/Harris/Dickinson)

terça-feira, setembro 15, 2009

UP


They've done it again. Não sei como, mas parece que a Pixar tem um segredo muito bem guardado, tipo galinha dos ovos de ouro. Não há tempo para enumerar aqui todos os sucessos da Pixar. Basta apenas mencionar o brilhante Wall.E do ano passado, para se concluir que a Pixar está cada vez melhor no ofício de realizar filmes de animação que ultrapassam em qualidade, emoção, maturidade e sinceridade muitos, mas muuuuitos dos filmes actuais, ditos adultos.
O fascinante de "Up", tal como do "Wall.E", é que, não obstante serem animações, sendo como tal facilmente relegados para a categoria de "filmes para crianças", não são, na verdade, filmes infantis. Obviamente que a animação é e será sempre apelativa às crianças, mas a Pixar tem revelado uma preocupação crescente em fazer filmes de animação que as crianças podem ver e os respectivos adultos acompanhantes não se aborrecem de morte a vê-los.
E sim, os bonecos são patuscos e cómicos, e há alguma dose de fantasia no argumento (balões a levantarem uma casa é obra), mas a história é simplesmente brilhante. O que está por trás da história básica é o que realmente interessa.
O facto de "Up" não ser exactamente um filme para crianças começa logo no início. Em poucos minutos vemos como Carl, o protagonista, e Ellie se conhecem quando miúdos e de seguida acompanhamos as décadas de casamento, resumidas de forma brilhante, sem diálogos. E a subtileza das imagens é mais do que sificiente para sabermos o que se passou, as tragédias e dramas que tiveram que passar e ultrapassar. Surpreendentemente é um filme sobre envelhecimento e morte, um tema algo pesado para meras crianças. Há realmente uma pequena grande tristeza que perpassa nessas imagens iniciais. No entanto é também um grande filme de aventuras e repleto de humor.
E há aquela sequência minha favorita pessoalmente quando Carl finalmente toma consciência que a "grande aventura" que Ellie queria...afinal teve-a. É isso mesmo. Romântico e lamechas? Talvez. Mas um romanticismo e lamechice muito bons.


segunda-feira, setembro 14, 2009

As Comadres

Suponhamos que o planeta Terra está prestes a ser invadido por uma horda furiosa de idosos extra-terrestres, com bengalas laser e dentaduras automáticas, a cujos ouvidos (os quatro ouvidos, ou antenas auxiliares da audição, é como quiserem) chegaram notícias do actual abandono e, porventura algum mau trato a que os "velhotes" por cá andam a sofrer, mais uns que outros, mas ainda assim.
Pois que se quisesse a boa ventura que eles desembarcassem aqui neste promissor subúrbio (não sei porque diabos haveriam de aterrar precisamente aqui, mas isto é ficção científica, não questionem, just go with the flow. Além disso é um "suponhamos"!), ficariam certamente siderados com esta visão, e certamente muitas cabeças iriam rolar (muitas mesma, se se tratarem de extra-terrestres bicéfalos...) no seu Departamento de Informação e Espionagem.
Pois então não é que os "velhotes" até ocupam lugares de destaque na sociedade e na política deste planeta? Aí está a prova. A comadre Manuela e a benzoca Geni! Juntas, lado a lado, com todo o peso da sua provecta e vetusta idade em full display! Ah, assim mesmo é que é. O orgulho da verdadeira old school! Certamente que os terríveis aliens desistiriam da vingança punitiva que se preparavam para exercer.
Não sei que diga sobre a estranha diferença de tamanho de cartazes. A líder Manuela mais não parece que um humilde "Igor" ali ao lado do enorme "Conde Drácula". Mas seja como for é divertido. Parece que já as estou a ouvir a dizer uma para a outra: "Ó Manela, quando acabarmos isto temos de ir ali ao salão de chá tomar um cházinho e uns scones!" "Ó Geni", replica a Manuela, "por quem é! Iremos certamente. Aliás, tenho aqui um ponto novo de crochet que aprendi a fazer o outro dia!". Enfim. Isto não tem piada. Trata-se de eleições legislativas, que são uma coisa séria. Shame on me. Vamos ver mais de perto....

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domingo, setembro 13, 2009

Olha...

...um fim de semana sem festivais, concertos, praias, celebrações do comunismo e outras macacadas em geral. Sabe bem. Ou não. É complicado. O ser humano é palerma, pronto. Seja como for, nada como voltar a dar ares de pseudo intelectual e ocupar as meninges com algo diferente.
Os senhores da Tranquilidade pregaram-me a rasteira ontem, quando dei com o nariz na porta do seu auto-intitulado "Espaço Arte Tranquilidade" (muito zen...).
De 9 de Julho a 15 de Setembro, a exposição «Heroes», do italiano Silvio Fiorenzo, vai estar patente no Espaço Arte Tranquilidade.
A mostra vai dar a conhecer o estilo particular do artista, em que as personagens dos grandes mestres do Renascimento, Barroco, Neoclassicismo ou Romantismo (como Tiziano, Carvaggio, Miguel Ângelo e Rembrandt) convivem, lado a lado, com figuras da BD (como Mickey, Batman, Astérix ou Tintin).
A «seriedade da obras de arte», que foi posta em causa por Duchamp, pelos Dadaístas ou por Warhol e pela Pop Art, é também desafiada por Fiorenzo, de uma forma mais humorística do que irónica.

O Espaço Arte e Tranquilidade funciona de quarta-feira a sábado, das 13:00 às 19:00 horas, encerrando aos feriados.
Isto era o comunicado de imprensa. Muito giro e tal, mas a verdade é que os senhores acharam por bem tirar o Sábado de folga. Está bem, está bem, que é tipicamente português deixar tudo para a última hora. Mas que diabos? Aquilo tinha datas e horas marcadas. Enfim.
Bom, também foi nos últimos dias, mas pelo menos hoje não levei com a porta na testa. E ainda dizem que os funcionários públicos não trabalham. A exposição do Júlio Pomar no Centro de Arte Manuel de Brito (CAMB) da Câmara Municipal de Oeiras surpreendeu-me em quantidade e qualidade. Esperava algo mais prqueno, mas é sem dúvida uma exposição altamente abrangente e espalhada por várias salas de dois andares do Palácio Anjos. Muito bom. Obrigado mais uma vez pela dica F.
Esta exposição abarca obras de 1943 a 2003 e percorre praticamente todos os ciclos do artista - neorealismo, tauromaquias, corridas de cavalos, Maio 68, Banhos Turcos, fase erótica, Tigres, a série dos Corvos com os retratos dos escritores que abordaram o tema (Edgar Allan Poe, Mallarmé, Baudelaire e Pessoa), a fase do Brasil com Os Mascarados e Os Índios do Xingu até acabar nas últimas pinturas com colagens e objectos. Temos muitos desenhos – ilustrações para o Romance de Camilo de Aquilino Ribeiro, retratos de Camões, Bocage, Pessoa, Almada Negreiros, João Abel Manta e Manuel de Brito. Desenhar e pintar animais é uma constante ao longo da sua vida - galos, hienas, lobos, macacos, porcos, tigres, gatos, girafas, burros, cabras, ratos, corvos, mochos, papagaios, abelhas, camelos, cavalos, touros, rinocerontes, veados, búfalos, tartarugas, lebres e caracóis. A última obra é a Arca de Noé o símbolo da salvação da vida animal.


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sábado, setembro 12, 2009