quarta-feira, novembro 30, 2005

Finalmente!

Sempre me imaginei na minha casinha, no meu sofázinho a olhar para a minha televisãozinha de ecrã grande (não é um plasma ou sequer um LCD infelizmente...mas faz-se o que se pode!), numa bela noitinha ou tardinha, a ver ISTO que veêm aqui ao lado! Até me babo cum camandro!
E agora, finalmente é MEU! Todo meu! Só para mim! My precious one!!!!!!! Eheheheheheheh!

Os simpáticos senhores da Fnac baixaram o preço dos originais 80 € para 45 €. A isto juntei o belo do cheque de 10 € a que tive direito por ter juntado os 65 pontos do cartão, e voilá! Eis que de repente já cá mora. Uma oportunidade de ouro que não podia perder

Assim, estas são as famosas edições especiais e expandidas de cada um dos filmes que formam a trilogia. Cada um tem, em média, mais meia hora de cenas que não se viram no cinema. O interesse é óbvio, tratando-se duma adaptação cinematográfica duma tão grande extensa obra literária. Para além disso traz uma série de extras e documentários. Tudo junto em três caixas luxuosas, com desenhos e esboços originais referentes à história.
E, claro...tem os filmes, ou, considerando que se trata da mesma história, O filme. Na minha opinião esta é uma das melhores adaptações ao cinema que vi, não só pela habilidade em saber O QUE adaptar e COMO adaptar, mas também pela pura e simples QUALIDADE da história. Pelo Universo e Mitologia inteiramente criados pela mente duma pessoa só.

Sim, é uma história fantástica, talvez a matriz de todas as histórias, livros e filmes sobre elfos, dragões e anões em geral, mas não deixa de ser uma história com a qual qualquer pessoa se pode relacionar, ontem, hoje e amanhã. No fundo trata-se de uma história simples sobre amizade, lealdade e coragem. Um típico conto da luta do Bem sobre o Mal e do eventua triunfo daquele após alguns sacrifícios e sofrimentos.

Conta-se até, embora eu não tenha a certeza plena disso, que a história do Senhor dos Anéis é uma grande alegoria à ascensão e expansão do poder nazi no Mundo e à união de vários Estados na luta contra aquele poder. Tal como os países aliados se uniram contra as potências do Eixo, apesar das suas próprias diferenças, também os Humanos, os Elfos, os Anões e os Hobbits se uniram contra o poder de Sauron. Será assim ou não?

Não interessa, o que é um facto inegável é que é uma das melhores histórias de aventuras que há!

terça-feira, novembro 29, 2005

Jeff Buckley - Live at Sin-é

Bom, desta vez não é um álbum propriamente dito, mas sim um EP. Mas acho que vale a pena falar dele aqui por várias razões. Primeiro pq foi a primeira coisa que ouvi do Jeff Buckley como deve ser. Segundo porque se trata de um EP, é certo, mas já foi reeditado em álbum duplo. E 'last but definitely NOT the least', pq a prestação do Jeff Buckley nestas 4 'amostras' é de tal forma intensa, sentida e emocional, que os 20 minutos e tal do disco parecem muito mais, tal é a quantidade de 'coisas' que se passam naquelas 4 canções.
É impossível não nos sentirmos absorvidos pela entrega e paixão de Buckley nestas 4 faixas. Um 'cantautor' algo desconfortável ainda, mas com vontade de lutar e de se 'mostrar' e expor, para de alguma forma alcançar o seu sucesso pessoal.
Jeff não gostava de ser considerado um cantor folk (isso era o pai dele, Tim), mas foi realmente no circuito de bares/cafés nova iorquinos que ele, sozinho com a sua guitarra, começou a construir o seu nome e a tornar-se conhecido pelas suas prestações. O Sin-É, pequeno bar irlandês em Nova Iorque (para as mais curiosas ficava no East Village, embora já tenha fechado, tendo mais tarde aberto novamente noutra parte da cidade), foi o palco onde, por duas noites no Verão de 1993, Jeff Buckley encantou e espantou os clientes deste pequeno café.
Este EP foi lançado antes do álbum ‘Grace’, talvez como uma espécie de ‘trailer’ do que se aproximava. Principalmente destacava-se a voz de Buckley. Uma voz que facilmente deslizava entre o angelical e o quasi-demoníaco.
Estas 4 canções conseguiram esse objectivo. É de facto a voz que sobressai neste disco, principalmente porque aqui temos oportunidade de a apreciar sem grandes factores distractivos, como será a banda completa. Aqui temos apenas a voz e a guitarra, combinadas e entre-ajudando-se de forma perfeita, quase num ‘show off’ de capacidades, alguns dirão.
Encontramos então aqui um Buckley jovem e cheio de energia, ainda intocado pela fama e pela lenda. Aclamado pela sua voz, é preciso, no entanto, não esquecer o excelente e altamente criativo guitarrista que ele era, capaz dos momentos do maior low profile, mas também de algumas explosões de virtuosismo e, outra vez, quase show off.
No entanto, era realmente a voz que o elevou aos píncaros, uma voz que conseguia ir do falsetto mais frágil à voz mais cavernosa e gutural, a tal dicotomia anjo/demónio.
As duas primeiras faixas do EP aparecerão mais tarde no “Grace”, mas de certa forma algo diferentes.
Em “Mojo Pin” Buckley anuncia que “this song is about a dream” e de facto assim parece, quando começa a tocar de forma gentil e calma quase minimal, mas a outra faceta revela-se a meio da canção quando gradualmente o ritmo começa a aumentar e o gentil transforma-se em raiva, o cantar em gritar; e mal nos acabámos de nos ‘ajustar’ a esta explosão, rapidamente ela desaparece e tudo volta ao ‘normal’ num quase fade out.
“Eternal Life” é uma excelente e eléctrica canção rock no álbum de estúdio, mas aqui transforma-se em algo mais íntimo, um verdadeiro manifesto pessoal, quase como que uma declaração de raiva e alienação. Temos aqui uma bom exemplo do poder da sua voz que se destaca sozinha sem a parte ‘mais pesada’ dos instrumentos que ‘enchem’ a versão de estúdio.
A partir daqui...a excelência. Deixamos de estar perante um uma estrela de rock em potência e em ascensão para passarmos a ver um músico que é ao mesmo tempo fã de música e quer divertir-se enquanto diverte os outros a tocar.
“Je N’En Connais Pas La Fin” é uma canção de Edith Piaf, completamente ‘apropriada’ por Buckley. E é, para mim. O melhor momento do disco. Uma performance perfeita e daquelas que certamente fez toda a gente parar naquele apertado café, completamente captivados, mesmerizados pela ‘magia’ que vinha do palco exíguo e com medo de quebrar essa ‘magia’ com o mínimo gesto ou sussurro. Esta versão tornou-a verdadeiramente de Jeff Buckley. Simplesmente perfeita e emocionalmente muito exigente.
A faixa final é outra versão: “The Way Young Lovers Do” de Van Morrisson. Outro grande momento do disco. É aqui que a ‘loucura’ começa e Buckley mostra um virtuosismo antes muito contido e controlado. Parece mesmo que é aqui que ele solta a ‘fera’ e deixa-a correr á vontade. ‘Show Off’ dirão alguns...talvez. pessoalmente prefiro vê-la como mais uma brutal e magnífica prestação dum cantor, compositor e guitarrista muito acima da média e que simplesmente não devemos esquecer.
Sem se prender com um determinado estilo, género ou influência, Buckley foi um dos músicos mais importantes da década passada, infelizmente não teve tempo para confirmar em pleno esta afirmação, mas acho que se pode presumir que é correcta.
A sua voz alta, clara, reminiscente, em certos momentos, da de Robert Plant canta sobre relacionamentos, sobre a vida, sobre cidades, sobre pessoas. Nunca lhe faltou coragem de assumir aquelas influências, sempre com a confiança e criatividade necessárias para explorá-las e fazer as suas próprias interpretações.
Este EP foi expandido e reeditado no décimo aniversário do EP. Inclui agora o concerto inteiro, onde ainda se encontram versões de Led Zeppelin, Billie Holliday, Bob Dylan, Nusrath Fatah Ali Khan, etc. Consta que se ele fosse vivo esta edição (bem como muitas outras) não conheceriam a luz do dia......mas pronto, seja como for, elas aí estão. E este “Live At Sin-È – The Legacy Edition” é um item a ter em conta.E que eu pretendo adquirir quando o vir. Tal como o EP, mostra a essência do talento de Jeff Buckley.

segunda-feira, novembro 28, 2005

Segunda-Feira!!!

E podia-se estar a ouvir aquela canção profética dos Boomtown Rats, "I Don't Like Mondays".LOL

sexta-feira, novembro 25, 2005

The Show Must Go On


Fez ontem 14 anos. RIP Freddie Mercury.

Farroukh Bulsara, nascido a 5 de Setembro de 1946 na ilha de Zanzibar, educado na Índia até 1962 quando a família emigra para o Reino Unido. Desde cedo mostrou grande aptidão para as artes e para a música, ingressando em 1966 no Ealing College of Art de onde saiu licenciado em Arte e Design Gráfico. Mais importante, foi aí que conheveu o amigo Tim Staffell que tinha uma banda chamada Smile, onde Brian May e Roger Taylor tocavam. Ver a banda inspirou-o a continuar os seus avanços na música (tinha aprendido piano na Índia, cantado no coro da escola e mesmo formado uma banda: os Hectics).
Em 1969 entrou para os Ibex, estreando-se ao vivo com esta banda. Mais tarde foi Freddie que sugeriu que a banda se passasse a chamar Wreckage, tendo continuado por algum tempo, mas eventualmente acabado. Freddie começou a busca por outra banda.
Encontrou os Sour Milk Sea onde impressionou todos não só pela sua voz, mas também e principalmente pela sua presença e carisma. A banda durou pouco e novamente Freddie teve de procurar outro nicho.
Desta vez encontrou-o ao substituir o seu amigo Tim Staffell nos Smile. Abril de 1970. Mudou o seu nome para Mercury e o nome da banda para Queen.
Em 1971 John Deacon junta-se à banda. A partir daqui começou a fazer-se História.
8 de Outubro de 1988 marca a sua última actuação ao vivo. A doença já não o deixava livre para fazer o que queria. No dia 23 de Novembro de 1991 anunciou ao Mundo que tinha SIDA, falecendo pacificamente em casa no dia seguinte.
Perdeu-se assim um dos melhores músicos, cantores e 'frontman' do século. Sortudos aqueles que o chegaram a ver. Os restantes só podemos usar a imaginação.

quarta-feira, novembro 23, 2005

Hmmmmmmmmm

Acabei assim de descobrir que, o post entretanto gravado como 'draft', quando é finalmente publicado, não assume a data da efectiva publicação, mas sim o da data em que foi salvado como 'draft'. Estava para aqui a fazer 'refresh' sobre 'refresh' e só me apareciam os sacanas dos pinguins. E afinal o post sobre o álbum do ano foi colocado ABAIXO do dos pinguins, como se tivesse sido postado na segunda feira. Esquisito.....mas pronto, é a fruta da casa.

Portanto, quem tiver interesse numa extenssísima exposição dos argumentos que me levaram a considerar o álbum "Ghost Reveries" dos Opeth o melhor álbum do ano de 2005, faz favor de andar para baixo que logo a encontrará.


A gerência agradece e pede desculpa pelo incómodo.

terça-feira, novembro 22, 2005

A marcha dos condenados


A sério. Estes animaizinhos queridos e 'fofinhos' que aqui se vêem não têm culpa nenhuma. Continuam a ser os animais nobres e corajosos e 'fofinhos' que sempre foram. Mas, por amor de Deus......

Ontem o Quarteto fez 30 anos. Para festejar pôs todos os bilhetes a 50 cêntimos (ainda assim, mais que os meros 27$50 de 1975). portanto lá fomos aproveitar e que é que vamos ver? Olha...que tal a "Marcha dos Pinguins"? Parece que é excelente e fez um grande sucesso lá fora. Ok.
A sala estava cheia e ninguém controlou a entrada, pelo que, quem quisesse até ia à borla. A sala 3 é algo desconfortável, mas no fundo todas são um pouco. Mas, realmente gostava de saber QUANDO é que eles se decidem a substituir o ecrã. É que desde que me lembro que a sala 3 tem exactamente no lugar das legendas uma espécie de 'nódoa arranhada' que, num filme cujo pano de fundo é quase exclusivamente branco, torna extremamente difícil a leitura das legendas. Ainda bem que os pinguins tinham algum preto nas suas penas. Sempre se descansava os olhos.

Quanto ao filme. Muito interessante deveras. Colocou-me várias questões e dilemas: durmo ou não durmo? Saio da sala ou não? Rio-me ou não rio? Graves decisões de facto. Acabei por me decidir a rir. Tive de disfarçar brutalmente claro. Com excepção duma parte em que pude lançar uma gargalhada mais alarve. Mas tb não fez mal porque o restante público ria-se enternecido por tudo e por nada, e felizmente, numa determinada parte onde se riram um pouco mais, eu pude soltar a minha gargalhada alarve. Ufff. Ainda assim fiquei com os músculos da barriga algo doridos de tanto conter o riso e tive de morder um pouco os nós dos dedos.

Sinceramente não percebo. Não devo ter a sensibilidade suficientemente apurada para perceber onde está a especialidade tão apregoada deste filme-documentário-romanceado. Pessoalmente achei o filme algo retardado e que trata os espectadores como atrasados mentais. Obviamente esta opinião é francamente minoritária. Para além de nós os dois, apenas uma pessoa teve a mesma opinião. Pelo menos é o que julgo uma vez que ouvi a porta abrir-se e alguém sair. Nós não o pudémos fazer. Os lugares não se compadeciam de tal opção. E nem sequer intervalo teve.

Os pinguins em si, como disse, não tiveram culpa. Lá estavam a
fazer aquilo a que a Natureza lhes dita todos os anos: migrar para se reproduzirem e depois criarem os filhos. O que realmente me incomodou e achei ridículo é que supostamente o filme seguia em particular um Sr. Pinguim e uma Sra. Pinguim (achamos nós, pq na realidade são todos iguais), e para cada um deles havia um actor e uma actriz que lhes davam voz. O problema é que as coisas que puseram os pinguins a dizer eram do mais ridículo e absurdo. Grandes frases e trechos pomposos e pseudo-intelectuais em francês. Quando nasce o Pinguim Júnior 'principal' e aparece um puto a fazer a voz dele, já estava a morder os dedos de riso há muito tempo. Ver imagem de um pinguinzinho a dizer que alguns jovens ainda se queriam meter debaixo das pernas dos pais para terem calor, mas tal não ser possível (provavelmente pq os ditos 'pinguinzitos' já eram umas bestas gordas e descomunais) e então dizerem que têm de ir a correr para a 'creche' dos pinguins foi a gota de água. Caguei-me a rir.

Parece que o filme teve muito sucesso nos EUA. Mas tb parece que nos EUA o filme foi dobrado e narrado todo pelo Sr. Morgan Freeman. Ora, quer-me parecer que isto dá logo um outro carácter ao filme. MENOS APALHAÇADO. É que é precisamente nos supostos 'diálogos' entre a 'família Pinguim' que reside o aspecto cretinóide do filme. Não basta pôr os animaizitos a debitarem trechos mais filosóficos e etéreos sobre o amor e sobre a vida para fazer um filme BELO.

Em termos de imagens, há de facto imagens bonitas, mas na minha opinião, nada que não tenhamos já visto em qualquer programa de natureza da TV. E são incontáveis agora.

Obviamente, a maior parte das pessoas tinha um olhar enternecido e choroso ao ver o filme.






O que, como devem calcular, tb me deu vontade de rir.
LOL

segunda-feira, novembro 21, 2005

Álbum da semana, talvez do ano.

Este ‘álbum da semana’ pode bem ser o meu ‘álbum do ano’. Ainda não decidi se é este ou o dos Masterplan. Anyway, como é o “Ghost Reveries” que ando a ouvir insistentemente nos últimos tempos é deste que vou falar.
Os Opeth são uma banda de Death Metal, com tudo o que isso normalmente comporta. Sim, estou a falar das ‘tais’ vocalizações agressivas, guturais e quase ininteligíveis. Felizmente não são só isso e conseguiram com grande sucesso introduzir na sua música os mais variados elementos que lhe dão um tom mais variado e diversificado; muito mais dinâmico e interessante do que as bandas de death metal típicas. O vasto número de influências e técnicas utilizadas é de tal forma complexa que pessoalmente não me sinto com competência para falar sobre isto. Esse facto apenas levaria alguns a dizer que eu deveria era estar mas é quieto e calado. Mas, acho que, para além do aspecto tecnicamente musical, há mais coisas que podem ser apreciadas na música. Coisas mais adequadas a serem apreendidas com as emoções, com os sentimentos, com o que quer que seja que temos cá dentro.

Parece ser portanto pacífico catalogar esta banda (com tudo o q de mau isso tem) como uma banda de Death Metal Melódico Progressivo. De facto parece que todas as características que podem ser agrupadas nesta designação estão presentes nesta banda. Canções longas, repletas de mudanças de tempo e ritmo, com momentos calmos e introspectivos seguidos de momentos de explosão mais ou menos agressiva. Tudo devidamente ‘ilustrado’ pelas excelentes capacidades vocais do Sr. Mikael Akerfeldt que rapidamente e com mestria consegue mudar o seu registo vocal entre uma voz limpa, melódica e introspectiva e uma voz bem brutal, forte e agressiva. Aliás, dir-se-ia que seria uma banda com dois vocalistas.
Depois de terem explorado separadamente estas duas vertentes, a mais calma e a mais agressiva nos álbuns “Damnation” e “Deliverance”, respectivamente, era com expectativa que se aguardava o caminho que iriam ‘escolher’.
E de facto conseguiram novamente criar um álbum inovador, renovado, indo outra vez além do que uma banda de death metal normalmente iria. Mais uma vez provaram que são uma banda com uma capacidade de composição e habilidade técnica fora de série que deixam as típicas bandas de death metal a milhas de distância.
Há quem não aprecie death metal por causa do estilo gutural, à 'monstro das bolachas', de cantar. Nos Opeth encontramos naturalmente alguns desses momentos. Pessoalmente também não sou um grande fã desse estilo de vocalizações, mas abro uma série de excepções, sendo os Opeth uma delas. Há músicas, bandas, momentos em uma voz gutural, mais rasgada e agressiva se justifica plenamente, sendo encarada como mais um instrumento a juntar aos outros na construção do ambiente musical. Podemos estabelecer uma comparação com as vocalizações dos Sigur Ros, em que o falsetto do vocalista é principalmente um instrumento, sendo secundária a percepção do que está a ser cantado (mais ainda no caso dos Sigur Ros, uma vez que o 'hopelandic' é basicamente inventado por eles). Em ambos os casos, a voz surge como mais um instrumento adequado ao conceito musical que se quer transmitir.
Os Opeth tornaram-se mestres na utilização ponderada dessa vocalização mais brutal,
temperada com doses de vocalizações mais delico-doces, assim conseguindo transmitir com mais eficácia o conceito e as emoções que os caracterizam. É esta habilidade melódica que faz com que os Opeth se destaquem dos demais.
Voltando ao álbum propriamente dito, o facto de o Steven Wilson (produtor dos anteriores álbuns) não estar presente e o facto de terem assinado pela Roadrunner Records (bleargh), preocuparam-me um pouco, mas assim que ouvi fiquei descansado. They delivered the goods! E a influência do Steven Wilson, e dos seus Porcupine Tree manteve-se e foi mesmo revitalizada. A junção a tempo inteiro dum teclista à banda veio dar uma nova profundidade ao som dos Opeth. Pelo álbum todo podemos ouvir o trabalho do Sr. Per Wiberg, umas vezes mais discreto, outras vezes mais ‘in your face’, misturando-se em perfeição com a textura das guitarras.
Os teclados, piano e mellotron assumem de facto uma importância tal que quase se pode fazer uma comparação com os ambientes criados pelos Led Zeppelin, Deep Purple e Pink Floyd, e mais actualmente, Dream Theater (embora não seja tão evidentemente ‘tecludo’ como os estes).
O órgão inicial em “The Baying of the Hounds” é o melhor exemplo disto, contribuindo com uma eficácia impressionante para a tensão crescente da canção culminando no impressionante verso “Everything you believed is a lie/Everyone you loved is a death burden”.
Há, portanto, um equilíbrio perfeito entre os momentos mais calmos, serenos e quase bucólicos, onde a banda aproveita para expor o seu lado mais contemplativo e introspectivo através da voz melódica de Akerfeldt e da quase prestação acústica da banda, e os outros momentos, mais pesados e agressivos. Há um efeito quase minimalista nestes momentos calmos contrastando com a tensão eléctrica que antecedem ou a que se seguem. Quase como que um momento que a banda nos dá para podermos ‘descansar’ do turbilhão eléctrico de emoções experimentado.
De realçar também o uso, pela primeira vez, de ritmos típicos do Médio Oriente na canção “Atonement” e, também de um ‘feeling’ em geral muito mais ‘seventies’ a que o uso das teclas não é obviamente alheio, numa demonstração patente de admiração por todas aquelas bandas dos
anos 70 já mencionadas. Não há aqui um “Kashmir”, mas a influência percebe-se muito bem.
Cada uma das 8 canções serve quase de introdução à próxima, embora nunca o álbum pareça aborrecido ou repetitivo enquanto se ouve. Nenhuma das canções está ali ‘por estar’, antes, cada uma delas tem a sua força e personalidade próprias, fluindo admiravelmente em disco com toda a sua variedade e dinamismo. Aliás, o álbum e as canções abordam tantos elementos e influências que é extraordinário como no meio de tanto eclectismo, consegue manter um tal nível de coerência.

São estes elementos que, a juntar aos ingredientes habituais, concorrem para nos dar mais uma obra sólida, a qual nos mostra
que felizmente os Opeth não se ‘deitaram à sombra da bananeira’; antes pelo contrário, esforçaram-se por nos mostrar algo surpreendente mais uma vez. “Ghost Reveries” pode bem ser o álbum mais original, interessante e intrigante que os Opeth jamais fizeram. Entretanto acho que é MESMO o álbum de 2005.
Pode não ser uma banda para todos....mas a todos a recomendo.

Stop The World, We Want To Get Off

Título bem sugestivo da edição deste fim de semana do jornal The Economist.

Foi feita uma sondagem nos EUA. O tema diz respeito precisamente ao "Lugar da América no Mundo". Foi feita ao povo em geral e a algumas classes em especial (opinion makers, militares, etc). Os resultados foram bastante desencorajadores ao que parece.
Os americanos estão cada vez mais a perder a confiança neles próprios e nos seus governantes. Parece que a teoria do isolacionismo e do "America should only mind her own business" está a ganhar terreno. Parte da culpa é, claro, a Guerra no Iraque, desencadeada pelo Sr.Bush Jr. à revelia de, digamos assim, GRANDE PARTE DO MUNDO. Resultado: América mal vista, americanos cada vez mais complexados com a imagem que o resto do Mundo tem deles.

No que respeita à intervenção no Iraque, 22% acham que é uma má ideia; 36% acham que é uma boa ideia mas com poucas probabilidades de ter sucesso; 34% acham que é uma boa ideia e com probabilidades de ter sucesso.

Conseguirá a América instaurar a democracia no Iraque? APENAS 33% dos jornalistas, 27% dos académicos e 13 % dos cientistas acham que sim. A MAIORIA não acha o mesmo.

42% dos americanos acham que a América não devia meter-se onde não é chamada. Antes, em 2002 apenas 30 % pensava assim.

DOIS TERÇOS dos Americanos pensam que o seu país é agora menos respeitado do que no passado.

Se isto não é um sinal não sei que seja. Pode ser que realmente isto acabe por pesar alguma coisa. Pode ser que o povo americano se canse. Pode ser que o governo americano conclua que nem sempre a solução está na força e que podem continuar a manter o status quo por outros meios.

Pode ser.


É que senão: stop the world we want to get off.

domingo, novembro 20, 2005

And Now For Something Completely Different....

Aaaaaaaaaaaaahhhhhh!!Finalmente! A paciência tem virtudes realmente fundamentais para a felicidade duma pessoa. Finalmente, depois de muito esperar, muito procurar, muito amaldiçoar e praguejar, eis que, finalmente, estão lindos e descansados nas minhas ávidas mãos estes 3 itens, que tanto foram desejados e procurados! E o que é melhor: cada um a um preço médio de 8 euros, sendo que todos são as edições especiais, completos com os mais loucos e desvairados extras!!!!!
"The Holy Grail", "Life Of Brian" e "The Meaning Of Life", trazem-nos o humor de primeira qualidade dos senhores John Cleese, Graham Chapman, Eric Idle, Terry Jones, Michael Palin e Terry Gilliam. Sei bem que não é um humor fácil e 'acessível' para toda a gente (é que muitas vezes a piada está em não ter piada, ou então no absolutamente absurdo), mas seja como for, acho que é inegável para toda a gente que estes senhores criaram um certo tipo de humor (ou pelo menos popularizaram-no), tendo dado origem até a uma nova palavra inglesa: "Phytonesque", ou, como diríamos por cá: "Pythoniano". É essa a qualidade, por exemplo, que o humor dos "Gato Fedorento" tem, embora lhes falte a genialidade como grupo que os Monty Phyton tinham e eles não têm.
É o 'non-sense' total e desvairado até ao limite máximo. E é excelente! O nível de criatividade atingido por estes cinco britânicos e um americano atinge proporções que ainda hoje são inimagináveis e de difícil alcance. Aquela 'genialidade de grupo' que mencionei acima provinha do facto de todos os integrantes do mesmo possuírem uma personalidade extremamente vincada e o seu estilo próprio. Isto tornava-os num grupo de trabalho muito coeso e eficaz. Em termos de humor, os Python no seu auge eram uma máquina implacável,nada era sagrado para eles (até certo ponto pelo menos....eram ingleses), e não deixavam pedra sobre pedra depois de passarem.
E foi precisamente esta genialidade de cada um deles que os levou a proseguirem as suas carreiras a solo, sempre com grande sucesso. Com excepção, infelizmente, do Graham Chapman que faleceu em 1989 com cancro na garganta.
Actualmente voltaram a 'reunir-se' e a estar na ribalta por causa do enorme sucesso que o musical "Spamalot" está a ter em todo o lado, tendo inclusivamente recebido várias nomeações para prémios e galardões. Era muito interessante que por acaso viesse a Lisboa....
Agora só me resta continuar a executar estes exercícios de mega-paciência e pode ser que um dia, quiçá, consiga tornar-me o feliz proprietário DISTO:


"The Complete Monty Python's Flying Circus". TODA a série de TV junta ...........só custa uns módicos 120 euros na amazon.com.

Enfim......

sexta-feira, novembro 18, 2005

Porque é que gosto de Heavy Metal III – O Outro Lado da Moeda

Na parte anterior discorri de forma algo alargada sobre o ‘preconceito’ que existe contra o heavy metal. No entanto não gostava que isso fosse tomado como uma afirmação categórica de defesa unilateral de um dos ‘lados’ envolvidos. O que é certo é que do lado do heavy metal também há bastantes preconceitos em relação a outros estilos musicais, e mesmo dentro do próprio metal nos seus vários subgéneros. A razão deste preconceito poderá, se calhar, ser encontrada na existência do outro preconceito para com o metal.

O heavy metal sempre foi de tal forma acossado e ‘perseguido’ que provavelmente os seus fãs sentiram a necessidade de se fecharem sobre si mesmos, sobrevivendo unidos no underground, ‘em luta contra todos’. Talvez daí tenha surgido esse preconceito ou ‘resistência’, ou mesmo ‘desvalorização’ de outros estilos musicais. Talvez sim, talvez não. Debater sobre se um preconceito gerou outro preconceito em resposta, é o mesmo que debater se foi o ovo ou a galinha que veio primeiro.
O que é certo é que de facto o heavy metal possui em si alguns preconceitos contra a pop, o rap, ou outras coisas menos....bem...menos ‘metal’.

Da minha permanência quase diária no fórum dos Iron Maiden, tenho reparado que alguns integrantes não mostram grande abertura de espírito ou capacidade de retirarem tudo o que de bom houver do que se ouve em geral por aí. Surpreende-me que algumas pessoas ponham de parte determinado cantor, banda, canção ou estilo apenas e só porque não corresponde totalmente aos seus requisitos, ou melhor, surpreende-me sim que o fã de heavy metal GENERALIZE de tal forma que não dê efectivamente hipótese de descobrir que, sim, há outras coisas que não são heavy metal, e que, pasme-se, também são boas e interessantes.

O facto de o metal e o seu fã terem sido desde sempre ‘olhados de lado’, terá, mais uma vez proporcionado alguma arrogância daqueles e que eles passassem a ‘olhar de cima’ para o resto.
Afinal de contas, desvalorizar todo um género musical através de generalizações básicas é um problema comum a todos. É uma característica humana se calhar.

Felizmente, tal como o preconceito contra o heavy metal parece estar a desvanecer-se lenta e gradualmente, também o preconceito oposto já não é tão arreigado por parte do Metal. O fã de metal é cada vez mais o fã de Música, venha ela sob que formato, ou etiqueta, vier. A admissão de ‘outras’ influências, externas e aparentemente contraditórias está agora mais difundida, o que só pode ser saudável.

De facto, é assim que eu entendo o heavy metal em geral, e é assim que eu entendo o fã de metal em geral, o bom fã de metal. Aquele que sabe manter os horizontes abertos, aquele que sabe ouvir ou dar uma hipótese a tudo e, se assim for caso disso, apreciar as qualidades inerentes ao que está a ouvir, e saber retirar daí o melhor que está ao seu dispor.

Talvez seja por isso que é cada vez menos raro encontrar pessoas que gostam e ouvem heavy metal, mas também ouvem outras coisas sem problemas. O inverso já não é tão frequente, mas também não é para admirar, uma vez que é mais fácil partir do Metal para outras coisas do que ser fã de pop e interessar-se continuamente por metal.

Daí o interesse que se pode encontrar cada vez mais no mundo do heavy metal: um núcleo fechado em si e com os seus, mas sempre virado para fora e para o que se passa por aí. Liberdade acima de tudo. Nenhuma cedência a modas ‘apenas porque sim’. Antes pelo contrário, liberdade para apreender o que se tiver na vontade.

O verdadeiro fã de metal é, antes de mais, fã de música. Pelo menos é assim que eu gosto de ver as coisas.

quinta-feira, novembro 17, 2005

!!!!

E eis senão quando, out of the blue, algo surge que me põe a mim out of the blue mood! Timing perfeito.
"Elizabethtown", realizado por Cameron Crowe que também já tinha realizado outros filmes interessantes como o "Jerry Maguire", "Singles", "Vanilla Sky" e o muito bom "Almost Famous", é um filme que faz muito bem à alma, se assim posso dizer.
O que me entristece é que este filme está condenado a ser desvalorizado pela maioria das pessoas uma vez que traz consigo o não muito bom manto da 'comédia romântica norte americana'. Admito que foi precisamente isso que eu pré-concebi. Mas, mais uma vez o que li nos jornais sobre o filme deixaram-me curioso. E por isso fomos ver.
Devo dizer que fui agradavelmente surpreendido pelo que vi. Está bem que as 'críticas' que li podem ser um pouco exageradas, mas isso em nada me impediu de apreciar este belo filme tal como alguém aprecia um gelado de chocolate e baunilha numa quente tarde de Verão.
Tem de facto os elementos habituais das tais 'comédias românticas', mas felizmente tem muito mais. Ambos os actores principais (pelos quais eu não dava grande tostão ultimamente) têm uma prestação muito boa, o que parece ser natural quando se sabe que os papéis foram escritos a pensar nestes dois. As filmagens chegaram mesmo a ser adiadas enquanto o Orlando Bloom acabava o "Kingdom of Heavens".
A banda sonora, como não poderia deixar de ser num filme do Crowe é excelente, com um lugar de destaque para a fabulosa "Free Bird" dos Lynyrd Skynyrd. Que cançãozorra!!!


Em suma, recomendo o filme a quem queira passar um bom bocado a rir, a chorar e a sentir-se...bem com o mundo e convosco próprios. Lamechas dirão alguns? Talvez. So fuckin' what?

quarta-feira, novembro 16, 2005

...

Pega
Deixa
Faz
Anda
Pára
Levanta
Empurra
Depressa
Devagar
Mais rápido
Calma...
Olha
Fala
Cala-te
Não olhes
Compreende
Tolera
Não admitas
Permite
Pensa
Não penses
Contenta-te
Ambiciona
Não te rias
Diverte-te
Tens de querer
Queres o quê?
Vai para ali
Vai para além
Volta para aqui
Mas vai acolá primeiro
Devias ter ido
Devias ter feito
Devias ter acontecido
Devias ter dito
Vai
Fica
Porquê



"Sometimes I Feel like screaming !
close my eyes
It's times like this
my head goes down
and the only thing I know
is the name of this town "

Porque é que gosto de Heavy Metal II - O Preconceito

Porque é que gosto de Heavy Metal? Porque é que gostamos de Metal, os que gostam isto é? É uma pergunta que se tem atravessado no meu caminho desde há vários anos, desde que comecei a gostar desse estilo musical. Agora já não tanto, claro, uma vez que as pessoas já sabem que gosto e não há interesse em saber porquê. Porém, sinto que a questão muitas vezes anda à minha roda, sabendo eu que muitas das pessoas com as quais me dou e que, por acaso, não fazem a mínima ideia que eu sou fã, terão essa reacção de espanto, caso venham a saber. De facto não é evidente na minha pessoa que eu ouço metal. É raro vestir-me de acordo com a ‘tribo’, não tenho cabelo comprido, etc etc. Na verdade o cerne da questão está precisamente em saber não porque é q alguém gosta de Metal, MAS SIM o porquê de alguém com um aspecto nada metal, pacato e pouco dado a ‘satanismos’, como eu, gostar efectivamente de tal género de música. Ou seja estamos perante uma espécie de ‘preconceito’.

Lembro-me de nos meus primeiros anos de Faculdade entrar na sala de aulas com dois álbuns de metal debaixo do braço. Um deles era o “Chaos AD” dos Sepultura. Acabadinhos de emprestar. Alguns dos meus colegas olharam-me com espanto e afirmaram: “O quê? Não me digas que tu ouves isso??”. E já várias pessoas (mais recorrentemente a minha mãe) que expressaram a sua estupefacção não percebendo “como é que um rapaz tão pacato como tu gosta de ouvir estas músicas...”. È assim que tem sido. Não me incomoda minimamente, é quase hilariante mesmo. É que ninguém pergunta a um fã de pop porque é que gosta de pop, ou a um fã de música clássica porquê é que ouve Mozart, ou a um fã de rap porquê perder tempo a ouvir isso. Não. De todos os estilos musicais o Metal parece ser o único do qual uma pessoa deve cansar-se e evoluir para outros níveis. E antes de o fazer será sempre um puto acriançado e meio doido a gritar encarniçadamente por sangue e tripas ou satanás, etc etc. É outra das ideias que tenho encontrado bastas vezes, quando estou perante alguém que já gostou de Metal:”Epá, eu gostava disso quando era mais novo! Aquilo é que era! Os Iron Maiden ainda existem?”

Tudo bem, as pessoas são livres de deixarem de gostar de uma coisa à medida que crescem. Outros interesses e estilos de vida substituem a vida que se tinha na juventude. É natural e TODOS passamos por isso aos mais variados níveis. Mas é errado pensar que todos passam por isso da mesma maneira. É errado pensar que por se ter determinada idade deixa de se poder fazer determinadas coisas. Ok, é certo que há coisas que de facto já não são apropriadas, mas ainda assim, nada é proibitivo.
Como tal não deixa de me intrigar o fenómeno que é a ideia pré-concebida segundo a qual a partir de certa idade deixa de se poder ouvir metal. É redutor e ‘envelhecedor’. É uma relação de causa-efeito que me surpreende e me deixa algo perplexo. O que é que uma coisa tem a ver com a outra? Uma pessoa deixar de gostar porque perdeu efectivamente o intereese é uma coisa diferente duma pessoa deixar de gostar porque já’não é suposto gostar’. Parece-me que ninguém faz este raciocínio, mas há toda uma série de pessoas que ESPERAM que ele seja feito. “Então? Ainda andas a ouvir isso?”

Este preconceito prende-se com um outro, anterior e mais geral. Porque é que a partir de certa idade não é suposto ouvir heavy metal, ou porque é que certo tipo de pessoas provocam estranheza ao afirmarem-se como fãs?
É simples. Porque escapam ao preconceito estabelecido e generalizado. Este preconceito diz-nos que os fãs de heavy metal são jovens eventualmente ameaçadores e perturbados, definitivamente muito agitados e perigosos, com propensão para coisas escuras, para sacrifícios, para rituais satânicos e para berrarias em geral. É o corolário lógico segundo o qual todo o heavy metal é feito de ‘macacos’ gigantes e peludos que debitam verdadeiros grunhidos ininteligíveis e potencialmente ameaçadores e ofensivos a um microfone. Acompanhados por outros ‘animais’, tb feios, sujos e maus a procederem à destruição gradual dos instrumentos que têm em mãos.

Ora, esta imagem apocalíptica que descrevi, existe obviamente. Há no mundo do metal verdadeiros grunhos que, em poucas palavras, correspondem a esse estereótipo. MAS não quer dizer que seja tudo igual, não quer dizer que todo o heavy metal seja composto por sujeitos assustadores e que toda a temática seja ‘vampiresca’. É óbvio que isso existe, não é á toa que a cor oficial da tribo seja o preto (embora com uma maior intervenção de outras cores mais berrantes, ao contrário dos chamados ‘góticos’), e é esse o ambiente privilegiado por muitas bandas. Mas há quem o faça com inteligência e mesmo quem se dedique a outros factores menos dark. Tal como nos outros estilos musicais, no Heavy Metal há de tudo. Do mais ridiculo e obnóxio ao mais sublime e genial. Há coisas boas e coisas más.

Mas é isto que a maioria do público não parece reconhecer. Falar de Heavy Metal é para eles conjurar a tal imagem apocalíptica acima descrita. É a famosa ‘música do demo’, composta unicamente por barulho desenfreado.

Nada pode ser mais errado. Generalizar é, aliás, sempre errado. Essas pessoas não saberão portanto que há toda uma vasta gama de cores e nuances no heavy metal, para todos os gostos. Nunca saberão que nem todo o heavy metal trata de histórias de assaltos a cemitérios na noite escura, contadas de forma imperceptível. Nunca saberão das excelentes vozes que pululam por aí (cada vez mais) e dos excelentes músicos que as acompanham, das mais variadas vertententes e formações.

Não. Todo o Heavy Metal é formado por grunhos embrutecidos. Tal como todo o Pop é formado por rapazes e raparigas semi borbulhentos a cantar com voz de cana rachada. Tal como todo o Rap é formado por gangsters e assassinos foragidos da polícia. E todo o rock composto por clones do Elvis com as competentes poupas e suiças.

terça-feira, novembro 15, 2005

Wake up call...

De vez em quando, raramente, há canções que tocam uma pessoa de maneira especial. Às vezes nem é tanto a letra, mas sim o mero ambiente e ‘feeling’ geral da canção. Neste caso dos James foi tanto a música como a letra. Na impossibilidade de pôr aqui a música, fica a letra, ou o poema se assim quiserem. È fantástico como há certas peças que se podem entranhar no nosso ser e fazer parte do nosso sistema, físico e espiritual, e fazer-nos...bem, VIVER.


Ring The Bells

Ring ring the bells
Wake the town
Everyone is sleeping
Shout at the crowd
Wake them up
This anger's deeper than sleep

Got to keep awake to what is happening
I can't see a thing through my ambition,
I no longer feel my God is watching over me
Got to tell the world we've all been dreaming
This is not the end, a new beginning
I no longer feel my God is watching over me

Break break the code
Concentrate
Let the doors swing open
See through all your walls
All your floors
Now you're in deeper than sleep

Got to keep awake to what is happening
I can't see a thing through my ambition,
I no longer feel my God is watching over me
Got to tell the world we've all been dreaming
This is not the end, a new beginning
I no longer feel my God is watching over me

When you let me fall
Grew my own wings
Now I'm as tall as the sky
When you let me drown
Grew gills and fins
Now I'm as deep as the sea
When you let me die
My spirit's free
There's nothing challenging me


Coloco-a aqui, apenas para me lembrar outra vez. Não que tenha esquecido, mas as coisas parecem ficar mais organizadas quando aparecem aqui.

segunda-feira, novembro 14, 2005

O Álbum Da Semana (e de todos os anos!)

Bom...tinha de ser. Já deviam estar à espera que saísse este álbum na rifa. É inevitável. Talvez seja algo difícil para mim conseguir falar objectivamente deste álbum. A vontade é apenas de escrever: ‘este álbum é superiormente genial’ e ficar por aqui. Mas assim também não tinha piada. Portanto vamos lá a ver.


O “Somewhere In Time”(SIT) foi lançado em 1986 e foi o sexto álbum dos Iron Maiden. Foi lançado no auge da carreira da banda. Juntamente com o anterior “Powerslave” e com o seguinte “Seventh Son of a Seventh Son”, forma a trilogia de álbuns considerada a época áurea dos Iron Maiden, a ‘Golden Era’. E é plenamente justificada, a meu ver.
O “Powerslave” tinha dado origem a uma monstruosa tour mundial que se prolongou por 13 meses e também a um álbum ao vivo (o “Live After Death”, gravado numa das 3 noites em que a banda encheu o Long Beach Arena), ainda hoje considerado um dos seminais álbuns ao vivo. De toda esta comoção não é de estranhar que a banda tenha saído naturalmente exausta e exaurida.
E desse cansaço todo resultou também uma necessidade natural de abrandar o ritmo e mudar um pouco a fórmula. O sucesso permitiu à banda a possibilidade de, pela primeira vez, parar para descansar e pensar o próximo álbum com mais calma. Permitiu-lhes também gastar mais dinheiro na sua preparação, elaboração e gravação.
Portanto foi nestas condições que os Iron Maiden iniciaram a produção de um dos seus melhores e mais arriscados álbuns de sempre. E também dos que mais sucesso teve.
Do stress caótico que agora acabava, emergiu uma banda diferente, mais sábia, talvez mais adulta e com vontade de trabalhar, mais para si mesmos como músicos, do para os outros. Mais do que tentar agradar apenas e só, desta vez tentaram mudar e evoluir.
Anteriormente, o ritmo álbum-tour-álbum não permitia uma grande margem de manobra. Desta vez tiveram tempo para se demorarem em todos os pormenores e perfeccionismos, e também tempo para experimentar as novas tecnologias. É este álbum, com efeito, que abre as portas ao uso de outros instrumentos e ferramentas para além das tradicionais. É agora que surgem as primeiras aparições dos
sintetizadores de guitarra e baixo com os quais os dois guitarristas da banda andavam a experimentar. Toda uma vasta gama de sons que antes só se poderiam obter com um teclado eram agora possíveis de conseguir com uma guitarra. O que deu algum jeito sendo os Maiden uma banda abertamente ‘anti-teclados’ na altura. No entanto o uso destes sintetizadores é sempre feito com ponderação, não sendo de forma alguma exagerado.
Este facto deu uma nova direcção à banda e alterou substancialmente o
som típico dos Maiden. O som das guitarras sintetizadas dava toda uma nova textura e profundidade à música, um efeito mais gelado e ‘dark’, mas bastante orgânico ainda assim. Digamos que está em perfeita consonância e adequação a todo o ‘suposto’ conceito do álbum, tanto a nível musical como a nível de artwork (capa e fotos inclusas). Dava um ar muito mais ‘hi-tech’ do que qualquer outro dos álbuns.
Toda esta nova abordagem ao processo criativo: mais dinheiro, mais tempo, mais tecnologia, fez com que o SIT fosse o álbum mais caro que tinham feito até à data. Mas compensou, uma vez que foi dos que mais sucesso teve, e ainda hoje é um dos preferidos de vários fãs (eu incluído).
Inexplicavelmente, hoje é um dos álbuns mais ignorados pela banda
ao vivo. Diz-se que o Steve Harris já não gosta dele, que está datado, que as canções não funcionam bem ao vivo, que o Bruce Dickinson nunca gostou dele (talvez por não ter nenhuma canção composta por ele), e diz-se até que o Adrian Smith chegou mesmo a ‘esquecer’ como se toca o “Alexander The Great”! Alguma razão justificará o facto de apenas o “Heaven Can Wait” ter sobrevivido com alguma constância nas setlists. Espero, porém, que esta situação seja algo corrigida na próxima digressão ‘histórica’ dos Maiden, a qual, se realmente acontecer, se debruçará precisamente sobre estes 3 álbuns da ‘era dourada’.
Mas isso é o futuro. No passado o que é certo é que o SIT teve um sucesso impressionante, chegando a n.º 2 nos tops britânicos, tendo vendido milhares de cópias só nos EUA e chegado a dupla platina.

Os dois primeiros singles, “Wasted Years” e “Stranger In A Strange Land” também foram responsáveis por este sucesso meteórico. Ambas as canções, sem perderem as características típicas de Maiden: coros memoráveis e épicos, bateira e baixo tonitruantes e duas guitarras selvaticamente melódicas e em harmonia, mostraram ao mesmo tempo uma banda diferente, mais ‘pop’, mais ‘comercial’ se assim se pode dizer. O que naturalmente agradou às audiências que acorreram em massa à “Somewhere On Tour”, digressão do álbum, bem mais pequena que a anterior, claro.
Ambos os singles foram compostos pelo Adrian Smith. Aliás, quase que se pode dizer que este é O álbum do Adrian Smith. A contribuição dele para todo o álbum é maior do que em qualquer outro. Todas as canções têm um feeling diferente, mais ‘orelhudo’ e memorável. Não é à toa que a banda, quando ele saiu em 1990, perdeu muito desse feeling que dava às canções um toque especial. Mais do que um excelente guitarrista perderam um compositor genial cujo contributo, mesmo parecendo pequeno, era (e é) essencial para dar à banda o som que sempre a distinguiu e que se revelou algo inatingível com o Janick Gers.
De facto são as canções compostas pelo Adrian que acabam por dar o tom ao álbum, sem desmerecimento das restantes, claro. A “Wasted Years”, “Stranger In A Strange Land” e a “Sea of Madness” são diferentes do habitual, pois em todas elas pontua com grande evidência o sintetizador e um sentimento mais rock’n’roll.
O álbum parece ter um fio condutor, embora não tenha sido intencional. Assim, parece que o
“Somewhere In Time” aborda questões relacionadas com o tempo e espaço, e o modo como cada um de nós (e eles próprios) lidamos com esses factores. Segundo o Steve Harris, talvez esse ‘tema’ tenha surgido inconscientemente após a extensa e cansativa tour mundial anterior, que tanto tempo durou e por tantos lugares passou. Canções como “Caught Somewhere In Time”, “Sea Of Madness”, “The Loneliness Of The Long Distance Runner”, “Dejá Vu” e mais claramente a “Wasted Years”, são prova mais do que suficiente de que se trata duma forma encontrada pela banda para exorcizar ou descomprimir das tensões por que passaram e dos sentimentos que atravessaram nessa altura.
São um retrato mais ou menos fiel de alguém que se encontra numa viagem muito longa, passando por vários sítios a grande velocidade (“from the coast of gold, across the seven seas/I’m travellin’ on far and wide(...)I close my eyes and think of home/Another city goes by in the night”), por vezes lutando contra a solidão ("The Loneliness Of The Long Distance Runner"), mas nunca podendo parar nessa viagem (“I’ve got to keep running the course/I’ve got to keep running and win at all costs/I’ve got to keep going be strong/Must be so determined and push myself on”), por vezes tendo sentimentos de repetição constante (“feels like I’ve been here before (…) you know when you feel deja vu”), provocando uma sensação de estranheza no Mundo (“Stranger In A Strange Land”) num verdadeiro mar de loucura e agitação (“Sea Of Madness”).
É impossível falar deste álbum sem mencionar o impressionante artwork. A capa mostra um
Eddie ciborgue num ambiente futurístico reminiscente do filme “Blade Runner” (aliás um excerto da banda sonora deste filme, composta pelo Vangelis, foi utilizada como intro nos concertos da digressão). Mas o que impressiona nesta capa é o nível de pormenores e detalhes que se conseguem encontrar. É a melhor capa de um disco jamais feita na minha opinião. Olhando com atenção podemos encontrar para cima de 40 referências a outros álbuns, canções e referências em geral ao mundo dos Iron Maiden. O pintor, Derek Riggs atingiu um nível de profundidade estonteante e não é de admirar que uma das coisas que podemos encontrar bem escondidas é o seu desabafo: “This painting is boring”.
Em relação às canções, já muito foi dito. Queria
apenas sublinhar um ponto essencial e genial que é o facto de, se por um lado a temática de algumas canções diz respeito à banda e ás suas experiências e vida, por outro lado, estão escritas de forma suficientemente aberta para que cada um consiga ‘ler nas entrelinhas’ e sentir as canções como ‘suas’ também. A “Wasted Years” é um exemplo perfeito disso. Tendo sido escrita claramente para retratar as agruras da vida na estrada, pode ao mesmo tempo ser extrapolada para uma ‘estrada’ maior e para uma tour mais extensa....uma tour que todos nós fazemos. “So understand/Don’t waste your time always searching for those wasted years/Face up, make your stand/And realize your living in the golden years”. Parece-me que uma ‘mensagem’ destas será sempre válida.
O início do álbum tornou-o num clássico e marca o tom futurista e novo que se seguirá pelo álbum fora. O “Caught Somewhere In Time” revela uma banda renovada e cheia de energia e força para nos mostrar a nova faceta. E prosseguem surpreendendo-nos de canção em canção, sendo que todas elas sem excepção podem ser consideradas verdadeiros clássicos. Termina em crescendo com o épico “Alexander The Great”, onde aprendemos mais nos 8 minutos que dura sobre a vida do Alexandre o Grande, do que nas quase 3 horas do filme do Oliver Stone. Que mais se pode querer?

Perfeito!

domingo, novembro 13, 2005

É esta a 'realidade' aparentemente.

Estava aqui tão entretido a ouvir o novo álbum de Opeth e a navegar pela net (e pelos agora 'incontáveis' blogs que pululam o meu 'espaço') quando fui surpreendido pela música adulterada da "Ponte do Rio Kwai", a qual, ultimamente, tinha servido de tema para aquele 'reality show' palhaço-militar que a TVI tinha no ar e que entretanto acabou na semana passada.

Eis senão quando, sem dar qualquer tipo de tréguas ao 'adversário', a TVI continua o seu bombardeio com mais uma '1.ª Companhia'. Quer dizer agora será a '2.ª' se calhar.

Isto fez-me lembrar quando apareceu o primeiro 'reality show', o inenarrável "Big Brother". Acho que foi há uns 5 anos mais ou menos. Na altura quando o programa estreou chocou meio mundo com o total desrespeito pela privacidade que o programa patrocinava. Era indecoroso, desnecessário, bruto, promovia a indignidade e o ultraje, enfim, era um programa que propiciava ou criava uma natureza vilmente 'vouyeur' em cada um dos telespectadores. O que quer que se afirmasse, a verdade é que o programa 'andou na boca' de toda a gente, e foi tema de muitas conversas. E eu não me excluo.

Hoje o conceito de 'reality show' já está tão enraizado em todos nós que já estamos habituados. Seria quase impensável ter hoje o mesmo tipo de reações que houve há uns anos. De facto as pessoas evoluem....ou será antes uma 'involução'? Aceita-se naturalmente tudo gradualmente....é um fenómeno estranho. As vozes que bradavam aos céus e infernos há uns anos contra estes programas já não se fazem ouvir hoje. É que já há 'reality shows' para tudo e mais alguma coisa....Diabo! Os INXS recorreram a um para encontrarem o seu novo vocalista, o Donald Trump arranjou um para encontrar um assistente, etc etc. Por isso...haveria muito de que falar....

Também é verdade que os 'reality shows' se souberam reinventar. Já não estamos perante programa embrutecido e embrutecedor que foi o primeiro "Big Brother", mas mesmo assim continuamos a ter um programa que junta várias pessoas (celebridades agora) num mesmo espaço ónde têm de passar por várias provas. No essencial é o mesmo e o pessoal liga a televisão para ver o que é que se anda a passar lá no "quartel" ou onde quer que seja.
É algo que já não criticamos pq é algo que já está assimilado.

E eu reparei nisto quando, voltando ao princípio do post, dei comigo a pensar: "Já? Nem dão um descansozito ao pessoal!". Ou seja....o problema já nem é o facto de haver tal programa...era sim o facto de voltar tão cedo.....é que já sabemos que eles inevitavelmente voltam mesmo.


É o problema dos ‘programas burgessos’......lol

E saem mais dois!

Aproveito agora a oportunidade para saudar o surgimento de dois novos oásis neste deserto cibernético:






Boa sorte Tânia e Mário! E, acima de tudo, que se divirtam muito!

sábado, novembro 12, 2005

Lifespotting

The eternal lifespotting choices?
Or: is there any choice at all?


But why would i want to do a thing like that?

quinta-feira, novembro 10, 2005

Álbum da semana


O álbum que escolhi para dizer umas patacoadas nesta semana não é, provavelmente, o melhor álbum desta banda. Se calhar, não é sequer o meu preferido, mas é, de certeza o que me marcou mais. Mas seja como for, penso que é pacífico o entendimento de que se trata de um álbum clássico. Estou a falar do “The Joshua Tree” dos U2. Dá para ver acho eu!
Porque é que é especial e digno de ser um álbum de referência? Bom, para além do facto objectivo de conter grandes clássicos da música pop/rock dos anos 80 e, porque não, de sempre, é também o álbum que me apresentou os U2. Lembro-me de, na altura, mais do que ouvir as canções, VER os videos na televisão. Os videos do “Where the streets have no name”, “With or without you” e principalmente “I still haven’t found what I’m looking for”, pertencem realmente ao meu imaginário infanto-adolescente (raio de palavra composta), e representam um meu primeiro e embrionário ‘acordar’ para a música. Nesses tempos eram os U2, os Simon & Garfunkel, os Beach Boys, os Beatles, etc, etc.
Este álbum foi também aquele que trouxe o sucesso total e global para os U2. Foi o que mais vendeu até àquela data, chegando ao primeiro lugar dos tops, poucas semanas depois de ter sido lançado. Foi o primeiro n.º 1 nos EUA, o que até se compreende uma vez que este álbum marcou o início em força (antes preparada com o EP “Wide Awake in America”) da chamada fase americana do grupo, mais tarde concretizada com uma digressão, filmada e gravada sob a designação de “Rattle And Hum”. O som que a banda nos mostra neste disco é muito mais acessível e agradável á generalidade do público. Aquele típico som de ‘combate’, de ‘confrontação’, mais punk dos U2 dos princípios dos anos 80 tinha desaparecido. O álbum ao vivo “Under A Blood Red Sky” tinha aliás marcado o fim dessa primeira era de raiva resumindo os 3 primeiros álbuns, “Boy”, “War” e “October”, numa prestação cheia de força e vigor. O álbum seguinte, “The Unforgettable Fire”, muito pela influência de Brian Eno e Daniel Lanois, já tinha assinalado uma mudança assinalável de som, mostrando uma banda mais contida e mais emotiva. Mas é um álbum de transição, e algo difícil de ouvir.
É com o “The Joshua Tree” que os U2 aperfeiçoam e dominam esta sonoridade mais introspectiva, mais emocional, e muito mais centrada no ‘eu’ interior, embora sem descurarem os aspectos do costume, quer políticos, quer sociais, como se pode ver nas canções “Mothers of the Disappeared” e “Bullet The Blue Sky”. Mas esses aspectos deixaram de ser o motor principal da banda. A raiva deu lugar à insatisfação e à busca de algo indefinido.
Foi com este álbum que a Rolling Stone os apelidou de “Rock’s Hottest Ticket”, e de “Maior banda de rock do planeta”.
A própria capa do álbum tornou-se um clássico e possibilitava uma identificação imediata da
banda e do álbum. Aliás, a foto que vemos na capa, a banda num deserto, provavelmente americano, indicia também alguma mudança na sonoridade, e uma maior introspectividade. Mais à frente voltarei a falar do simbolismo da capa.
“The Joshua Tree” contém uma série razoavelmente eclética de canções, série essa extraordinariamente conduzida por um fio condutor comum. Todas, no entanto, são peças típicas dos U2. Há canções sobre fé e busca incessante por algo que colmate a sensação de desilusão e insatisfação ("Where The Streets Have No Name, "I Still Haven’t Found What I'm Looking For"). Há várias mensagens e imagens bíblicas, a começar pela capa (Josué é uma figura da Bíblia, e é tamb´m a tradução grega da palavra hebraica que significa 'Jesus') e a terminar em várias referências líricas, reforçando a ideia de que se trata dum álbum onde a fé, o acreditar em algo, é o ponto fulcral.
Aliás, a questão da ‘fé’ é algo que está de acordo com a tal fase americana do grupo. Encontramos nos 3 álbuns que formam esta fase, desde o “The Unforgettable Fire” até ao “Rattle and Hum”, passando obviamente pelo “The Joshua Tree”, uma grande influência da ‘soul’, dos blues e mesmo do gospel norte-americano.
Trata-se dum álbum que nos conta várias histórias humanas, sobre os ideais da humanidade, e como cada um lida com eles ou luta para os alcançar e defender, enfrentando momentos de dúvida, de incerteza e, por vezes de desespero. Seja problemas de toxicodependência na “Running to stand still”, violência terrorista governamental em “Mothers of the Disappeared”, a injustiça social em “Red Hill Mining Town”. ou a morte dum amigo em “One Tree Hill” (Gregg Carrol, amigo e assistente do Bono a quem o álbum é dedicado).
Pode-se quase dizer que, enquanto na fase anterior, os álbuns quase se cingiam a comentar as várias forças exteriores a que o indivíduo está sujeito, este “The Joshua Tree”, volta-se para o interior desse mesmo indivíduo, para a sua força e determinação interior. A sua vontade e necessidade de lutar contra aquelas forças, seja por si, seja pelos outros. E nessa luta há sempre uma esperança.
A própria árvore (não sei como se chama em português) é uma árvore do deserto que consegue prosperar MESMO no ambiente seco em que vive. Um ser que consegue ultrapassar as suas dificuldades inerentes. É uma imagem quase épica da Vida no meio da sua quase ausência. Eis a mensagem de esperança e força no meio de todos os medos e dúvidas. Como o Bono canta: “I have run, i have crawled, i have scaled (...) But I still haven’t found what I’m looking for.” MAS: “I’m still running”! Ou quando em “One Tree Hill”, dirigindo-se ao amigo falecido lhe diz: “I will see you again when the stars fall from the sky and the moon has turned red over one tree hill”.
Em suma, “The Joshua Tree” mostra um lado mais frágil dos U2. Uma banda que nos tinha habituado a grandes afirmações plenas de certeza, lança agora um álbum onde mostram as suas dúvidas e insatisfações. Os motivos políticos não desapareceram, mas as coisas tornaram-se de repente muito mais pessoais e introspectivas. A evolução e maturidade da banda é clara. E, penso que se pode dizer que o “Bullet The Blue Sky” (escrita após uma visita de Bono a S.Salvador onde assistiu aos resultados da intervenção armada americana) prepara de alguma forma a próxima evolução, mais ‘mecânica’ do "Achtung Baby".

Um dos melhores álbuns pop/rock dos anos 80. Um álbum que foi necessário ouvir então, e que ainda hoje o é. “The Joshua Tree” é um álbum definitivamente marcante. Mesmo para quem ache que o “Achtung Baby” é o melhor e mais interessante. Talvez seja. Mas a nível puramente emocional não me parece.


quarta-feira, novembro 09, 2005

Alice

Acho que não me lembro de ver um filme português tão interessante nos últimos tempos. Mas também, diga-se em verdade que não sou o mais fiel espectador de filmes portugueses. Mas fui ver este, semi arrastado pelo 'hype', meio convencido pelas críticas e trailer. Pelo menos intrigou-me o suficiente para querer ir ver.
Vi-o, portanto, e a primeira coisa que me surpreendeu no filme foi a contenção absoluta e total na narrativa e mesmo nas expressões e sentimentos dos personagens. Não, não é, apesar do tema, um típico dramalhão de faca e alguidar. Pelo menos era o que eu esperava. Mas não foi assim. O filme caracteriza-se realmente por ser bastante contido. E se, ao princípio parece que não 'bate', mais tarde vemos que não é assim. Eu próprio não ia escrever aqui nada, mas passou o "Chuva Dissolvente" dos Xutos na rádio e de repente só me veio à cabeça o filme. É claro que a imagem que o filme dá tb se enquadra na canção dos Xutos. Uma cidade fria, onde ninguém quer saber de ninguém, onde a maior preocupação é apanhar o próximo transporte o mais depressa possível para ir para o trabalho ou para casa.....Lisboa não é só assim felizmente. Mas também o é. Principalmente para aqueles cuja vida, mercê de algum infortúnio, parou ou estagnou algures em dado momento. Esses devem ver tudo a passar a correr eqto eles não avançam presos por algo. No caso do filme temos um casal, preso a um dia determinado da sua vida. O dia em que a sua filha desapareceu.
É um filme sobre a ausência de facto, mas o que me marcou mais foi a cor azul-cobalto em que foi filmado. uma cor muito fria, muito 'árida' que representa tão bem o sentimento de desespero dos pais em busca da sua filha, mas também, e melhor ainda, o anonimato geral da cidade grande.
Não vou contar muito mais do filme. Não vale a pena. Mas vale a pena ver. Nem que seja pelas interpretações do Nuno Lopes e da Beatriz Batarda. Simplesmente fantásticos. Nunca tinha visto uma tal habilidade. Era tão fácil cair no dramalhão do costume...mas ainda bem que não o fizeram.
Mesmo assim, não é um filme propriamente 'leve'....É menos dramático do que seria de esperar, mas não deixa de ser trágico o suficiente para incomodar e desesperar. Definitivamente um filme do qual guardamos alguma coisa depois de o vermos. Enfim, não é 'o filme que vai salvar o cinema português' ou o 'melhor filme português', mas é sem dúvida interessante.

terça-feira, novembro 08, 2005

Alice e a chuva


Ontem fui ver o "Alice".
Um filme português.
Esta canção dos Xutos estava a dar na rádio há pouco. Fez-me lembrar o filme....não sei bem porquê....talvez o feeling geral....


Chuva Dissolvente

Entre a chuva dissolvente
E o meu caminho de casa
Dou comigo na corrente
Desta gente que se arrasta

Metro, túnel, confusão
Entre suor vespertino
Mergulho na multidão
No dia a dia sem destino

Putos que crescem sem se ver
Basta pô-los em frente à televisão
Hão-de um dia se esquecer
Rasgar retratos, largar-me a mão

Hão-de um dia se esquecer
Como eu quando cresci
Será que ainda te lembras
Do que fizeram por ti

E o que foi feito de ti
E o que foi feito de mim
E o que foi feito de ti
Já me lembrei, já me esqueci

Quando te livrares do medo
Desse amor que não entendes
Vais sentir uma outra força
Como que uma falta imensa

E quando deres por ti
Entre a chuva dissolvente
És o pai de uma criança
No seu caminho de casa

E o que foi feito de ti
E o que foi feito de mim
E o que foi feito de ti
Já me lembrei, já me esqueci

Excelente canção. E o filme tb não é nada mau!

Carry On

Follow your steps
And you will find
The unknown ways
Are on your mind
Need nothing else
Than just your pride
To get here
So, carry on
There's a meaning to life
Which someday we may find
Carry on, it's time to forget
The
remains from the past
To carry on
André Matos

segunda-feira, novembro 07, 2005

"M"?

Por muito que queira não posso deixar de reconhecer a importância que teve a realização dos tais prémios da MTV Europe em Lisboa, pela primeira vez. Não sei se realmente houve algum ‘lucro’ ou benefício para Lisboa ou para Portugal, mas que houve uma grande excitação e histerismo, lá isso houve. Várias dezenas de pessoas passaram a noite à porta do Atlântico para serem os primeiros na fila para comprar um dos meros 100 bilhetes disponíveis. E mesmo os que não conseguiram bilhete ‘amontoaram-se’ depois à beira da passadeira vermelha para ver as ‘estrelas’ entrar, fenómeno que se repetiu depois à porta das várias discotecas onde as estrelas acabariam a noite; informação convenientemente veiculada pelos jornais de modo a atrair ‘rebanhos’ maiores. A Maria chegou a ouvir uma conversa entre um grupo de jovenzinhos amitralhados que se estavam a preparar para o evento, tendo, inclusivamente um deles comprado uma ‘roupinha’ para tal.....mais concretamente PARA ESTAR NA RUA A VÊ-LOS PASSAR! Mas pronto, quanto a isso, cada um ocupa o seu tempo livre como quiser. Como diria o Ti Anastácio lá da aldeia: ‘Pelo menos não andam na droga!’ lol

Portanto é um facto que a vinda dos MTV’s a Lisboa provocou grande excitação nas pessoas, tratando-se dum grande evento a nível da música internacional. Terá sido? Na minha opinião não. Estes prémios MTV fazem um serviço tão bom à música como o próprio canal que os criou. Ou seja: nenhum.

No filme, já aqui falado, “The School Of Rock”, a personagem o Jack Black, um convicto fã de rock e hard/rock diz mais ou menos isto: “O Homem criou uma coisa bela que é a música. E logo a seguir criou outra para a destruir: a MTV”. Tem piada....mas se calhar é verdade.

O meu primeiro contacto com a MTV foi há muitos anos quando o prédio dos meus pais decidiu agraciar os condóminos com uma fantástica parabólica. Não me recordo dos outros canais, mas a MTV deixou marca. E uma coisa vos garanto essa MTV que eu via NÃO É a MTV que nós vemos agora. Algures deu-se uma transição....não sei bem qdo no entanto.

A MTV influenciou inegavelmente a história da música. O nível de divulgação da música atingiu níveis nunca antes vistos, e a criação do videoclip deu-lhe mais um suporte. A MTV proporcionou na altura um verdadeiro intercâmbio entre os dois lados do Atlântico, exportando os vários artistas americanos e abrindo a América a bandas vindas da Europa. Vários artistas construíram a sua carreira ‘às custas’ da MTV e são ainda hoje considerados clássicos do pop/rock.
Lembro-me que aquela MTV privilegiava o ‘M’ do seu nome. Preocupava-se em divulgar a música que se ia fazendo e havia até alguma preocupação de variedade. De facto havia horas específicas dedicadas a determinado género musical, fosse ele o rap, o metal, indie, pop, rock, etc etc. Havia, para além dos inevitáveis tops, programas interessantes, como o genial ’Most Wanted’ com o Ray Cokes, um prodígio da comédia e divulgação musical. Um dos melhores talk shows que já vi. Havia alguma preocupação musical em detrimento da estética comercial. Os próprios VJ’s tinham personalidade própria e podíamos apercebermo-nos da ‘onda’ musical que estava a ‘dar’ naquele momento de acordo com o VJ.

A MTV era, para mim, uma fonte importante de conhecimento musical com a sua programação variada e de (algum) bom gosto. Foi aí que eu conheci tb inúmeras bandas e que aprendi várias coisas relacionadas com a música. Ajudou-me a perceber influências, géneros, estilos, opiniões. Ou seja, aprendia-se alguma coisa.

A certa altura isto deixou de ser assim. hoje não se aprende nada. Não sei porquê. A MTV que temos hoje é uma televisão monolítica e obnóxia que tem tanta influência no mundo criativo da música como um petroleiro. A MTV dos dias de hoje é um canal que privilegia o “TV” do seu logotipo. Talvez o início do fim tenha sido com aquele reality show idiota “The Real World”....nesse campo o fundo do poço foi encontrado com o inenarrável “The Osbornes”, programa onde se procedeu progressivamente á desconstrução e desmitificação de uma verdadeira lenda viva do Metal até chegar ao ponto de ridicularizar (com o consentimento do próprio) e tornar num palhaço. Aliás isso foi sintomático da influência desta MTV no mundo da música. Durante anos, sempre que ouvíamos falar do ‘grande’ Ozzy Osborne não era por causa da música, mas sim por causa de trivialidades familiares que não interessavam a ninguém.

Esta MTV abriu as portas à futilidade juvenil e cultivou-a, embrutecendo de vez os jovens que a vêem. Tornou-se numa televisão ‘montra’, um sítio onde apenas ALGUMA música era divulgada, pq é essa a música que se ‘deve’ ouvir. É essa a música do momento e que toda a gente ouve. Não há qualquer critério, mas apenas o das massas populares. Não há a preocupação de sistematizar a mundo da música e apresntá-lo ás pessoas. Há sim a necessidade de dizer ás pessoas o que devem comprar e ouvir.


Hoje, ligo a MTV e não vejo qq diversidade musical. Não vejo qq preocupação na divulgação musical. A MTV é apenas mais um sítio onde as mesmas músicas são passadas, mas desta vez com imagens a acompanhar. E mesmo esta música é passada nos intervalos das resmas de programas medíocres e inanes que são mostrados pelo canal. Programas repletos de jovens, claro, bem parecidos ou com uma atitude ’cool’, sempre, mas sempre preocupados com o modo como são vistos pelos outros, com medo de não serem ‘integrados’.
Hoje ligo a MTV e vejo os apresentadores todos iguais, a dizerem as mesmas coisas inconsequentes e vazias, completamente desprovidos de personalidade. Hoje, ligo a MTV e tenho de levar constantemente com a mesma música de sempre, video atrás de video. As imagens podem mudar (às vezes nem isso!!!), mas as músicas são sempre as mesmas. Diz o Nuno Galopim no DNA: “Nos anos 80 a MTV foi acusada de racista por excluir tudo o que não fosse pop/rock de pele branca. Que dizer do panorama actual?...Nem vale a pena comentar, tão parcial e falso é o retrato musical do presente que o canal mostra”. Com a MTV a música não tem hipótese.

Os prémios da MTV mais não são do que o reflexo desse vazio. O entusiasmo musical, a paixão e emoção, a modernidade e criatividade não têm nada a ver com a MTV actualmente. É tudo (ou quase tudo, os bons artistas não têm culpa de serem por vezes passados pela MTV) feito de plástico, descartável e com pequeníssima esperança de vida. É a cultura da pastilha elástica. E uma pastilha já muito mastigada e sem sabor nenhum infelizmente.

Estes prémios, no fundo, continuam a ter uma justificação: tanta pompa e histerismo ajudam a disfarçar a total mediocridade e falta de ideias. A Cátia Vanessa que acotevelava a multidão para ver a Madonna apenas quer isso. Quer lá agora saber que o novo single da Madonna deve grande parte do seu sucesso e apelo ao facto de ter um sample duma canção muito conhecida DOS ANOS 70!
O Beavis and Butt-Head é que tinham razão: "This sucks! Change it!"



sexta-feira, novembro 04, 2005

Não é um 'Álbum da Semana'...mas podia ser.

Este álbum é, para mim, uma das melhores estreias em disco de longa duração que qualquer banda pode conseguir. Aliás, pergunto-me se não será mesmo O melhor álbum de estreia que há.
Logo de início estabeleceu um altíssimo nível de qualidade, revelando uma banda competentíssima, genial mesmo, que sabia bem o que estava a fazer e o que queria fazer.
É uma estreia que, pelo menos para mim, ainda hoje carrega uma marca de frescura, energia e poder fantásticos. Obviamente que ajuda o facto de quando finalmente os Maiden conseguiram o contrato para gravar este álbum, já andavam a tocar estas canções ao vivo há bastante tempo, construindo lenta mas solidamente a lenda em que se tornaram
.


Este álbum leva os Iron Maiden para o lugar cimeiro da NWOBHM (New Wave Of British Heavy Metal) estabelecendo uma série de parâmetros que eles iriam aperfeiçoar no futuro e que muitas bandas depois iriam tentar copiar e adaptar. Os Maiden tornaram-se assim quase como que uma “bíblia” do heavy metal. E ainda hoje assim é. Basta vermos o que se passou com a NWOSMDM (New Wave of Swedish Melodic Death Metal – olá In Flames!). Uma banda que ainda hoje é considerada uma referência no mundo do metal.

A produção, como sabemos, não é das melhores. Rezam as crónicas que havia um produtor chamado Will Malone, mas que foi praticamente a própria banda que o produziu. Tecnicamente a produção é bastante inferior à de muitos lançamentos da mesma época (ver "British Steel" dos Judas Priest), mas a verdade é que essa mesma “má produção” acabou por ser um dos elementos importantes para o sucesso do álbum, pois dá uma certa crueza e agressividade às canções que lhes fica muito bem. É uma produção que assenta bem à própria natureza das canções. Muito adequada a uma banda de rapazes 'working class', oriundos do East End de Londres, habituados a terem de batalhar arduamente para prosseguirem os seus objectivos.



A própria voz que na altura estava encarregada de cantá-las era reveladora desses mesmos sentimentos. O Paul Di'Anno conferiu às canções a crueza e agressividade melódica necessárias a fazer passar a mensagem. De facto, mesmo tendo apenas cantado nos dois primeiros álbuns, a prestação que teve neles tornou-se clássica no heavy metal. O Bruce Dickinson que o veio substituir para o terceiro álbum (o começo do sucesso global) canta as canções dessa fase extraordinariamente bem, com não podia deixar de ser, MAS não se pode dizer que o faça melhor que o Paul, ou sequer que faça esquecer a prestação dele.

E, claro, temos a enorme qualidade dos músicos que tocam com uma energia e uma quase raiva (e também introspecção e nalgumas canções). Tanto essa raiva como essa introspecção dão a ideia que o álbum veio bem de dentro deles...algo que tinham mesmo que por cá fora. Daí o aspecto cru e puro que lhe dá uma autenticidade invejável. Promissor do que se avizinhava.

Em suma, um álbum clássico do heavy metal como estilo genérico e que qualquer fã de metal deve obrigatoriamente possuir. E porquê? Por causa do que a seguir se menciona:

Começa logo com uma canção memorável e que mostra logo quem é a banda e o que fazem! "Prowler"!Rápida, agressiva e directa mas também muito melódica. Já tinha sido gravada na Soundhouse Tapes, mas esta versão é superior. Mais rápida e ritmada. O solo é excelente. Grande canção de abertura de concerto.
De seguida temos a "Sanctuary". Não aparecia originalmente no álbum, mas foi incluída na re-edição de 98. Originalmente surgiu na compilação Metal For Muthas. É uma das favoritas ao vivo pois proporciona uma grande interacção com o público. Mais uma vez é rápida e directa, quase cantada de um fôlego, Apropriada para uma canção sobre um assassino em fuga. "Remember Tomorrow" é a que se segue. É um dos raros momentos calmos de Maiden. Curiosamente a maioria deles concentra-se neste álbum. No entanto não lhe retira força e energia nenhuma! A canção é muito introspectiva e consta que é sobre o avô do Paul, piloto da RAF durante a II Guerra Mundial. “Unchain the colours before my eyes/Yesterday’s sorrows tomorrow’s white lies/Scan the horizon the clouds take me higher/I shall return from out of the fire”…Se bem me lembro o avô foi abatido na guerra.
A seguir vem a "Running Free"....e que se pode dizer desta?? É fantástica também, vibrante de energia e rebeldia! Típicamente Di’Anno em toda a sua rebeldia. É muito mas muito melhor quando tocada ao vivo. É uma canção simples e algo repetitiva...mas isso não faz dela uma má canção!
"Phantom Of The Opera" é a que se segue. É a melhor. Ponto final. Não há discussão. Tem TUDO o que faz de Maiden a melhor banda de sempre (curiosamente o próprio Bruce disse isto na última digressão). Baseada na personagem criada por Gaston Leroux, é um autêntico monumento à música. O melhor indício do que vinha por aí!!! Grandes ritmos e solos, mudanças de tempo de tirar a respiração...enfim, é muito difícil descrever por palavras tudo o que se passa nesta complexa canção.
"Transylvania" é o instrumental. É muito bom, mas prefiro o Gengis Khan do Killers. Mas este fica pouco atrás!
"Strange World" é a outra slow song . É sem dúvida uma boa canção. Não a minha preferida no entanto. Acho que é demasiado “hippie” se é que me percebem...as letras...o ambiente....quase psicadélico ou hipnotizante. Mas é boa. E as letras são excelentes. São algo intrigantes...parecem referir-se à vintade de combater a velocidade deste 'mundo estranho' em que vivemos, um mundo onde temos de avançar constantemente e onde seria, por vezes, preferível "never grow old".
Voltamos a acelerar com o "Charlotte The Harlot", composta pelo Dave Murray. É o primeiro “episódio” da saga da meretriz do mesmo nome. É de todas aquela que me parece ser mais datada. No entanto tem um ritmo fabuloso e solos do Dave e depois do Dennis Stratton muito bons.
Acabamos com o q vocês sabem: "Iron Maiden". Mais uma que é bem melhor ao vivo....aliás, sente-se melhor, tem mais sentido ao vivo. É uma verdadeira celebração. Depois de levarmos com a maior parte do setlist, o Iron Maiden, apesar de ser sinal do fim, soa muito bem. É divertida. Caso não tenham reparado, é das poucas que não tem solo de guitarra. Não é, a meu ver, uma das melhores canções....mas continua a ser um espectáculo ao vivo.

E tantos anos depois estas canções são consideradas clássicos e muitas delas ainda são consideradas 'obrigatórias' em qualquer concerto.

Este não é o álbum da semana, como disse. O texto que aqui está foi escrito por mim e já existe há uns tempos no site http://tugasmaidenfans.com.sapo.pt/ . Achei que podia aproveitá-lo, revê-lo e aumentá-lo aqui para o bolaa oito. A programação normal do 'Álbum da Semana' seguirá dentro em breve.